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Quais médicos os homens devem procurar em cada fase da vida?

Consultas preventivas ajudam a identificar doenças silenciosas antes do aparecimento de sintoma – Adobe Stock/Lumos

A resistência dos homens em procurar atendimento médico continua sendo um dos principais desafios para a prevenção de doenças. Muitos só procuram quando o problema já está avançado. Celebrado nesta quarta-feira (15), o Dia do Homem busca chamar atenção da população masculina para cuidar da saúde.

Especialistas afirmam que saber quais médicos procurar em cada fase da vida é um dos caminhos para identificar doenças precocemente e reduzir o risco de complicações.

Segundo a psicóloga Priscila Maria Gabos, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, a resistência masculina em procurar um médico está mais relacionado a fatores culturais do que à falta de informação.

“Muitos homens foram educados para acreditar que precisam suportar a dor e resolver os problemas sozinhos”, afirma.

Como consequência, sintomas físicos e emocionais são minimizados. Nesse meio-tempo, o paciente pode atrasar diagnósticos, reduzir chances de prevenção e acabar agravando o risco de complicações.

“Os modelos tradicionais de masculinidade podem criar uma falsa associação entre vulnerabilidade e fraqueza. Do ponto de vista psicológico, reconhecer limites, expressar emoções e procurar apoio são habilidades relacionadas ao autocuidado e até uma maturidade emocional”, diz Gabos.

Segundo a psicóloga, os homens precisam entender que saúde não é apenas a ausência de doença, mas envolve bem-estar físico, emocional e social. Isso significa criar uma rotina com consultas preventivas, atividade física, sono adequado, alimentação equilibrada, vínculos sociais positivos e estratégias para lidar com o estresse.

“Quanto mais naturalizarmos a busca por ajuda e os cuidados preventivos, maior tende a ser a adesão dos homens e melhores serão as chances de uma vida mais longa e saudável”, diz.

Para a médica de família Rosana Castello Branco, do Hospital São Domingos, em São Luís (MA), o cuidado com a saúde deve começar na infância e acompanhar toda a vida, sempre com foco na prevenção e adaptado às necessidades de cada paciente.

Quais médicos procurar e em quais idades?

Na infância, o acompanhamento com o pediatra é o primeiro passo. Nessa fase, além do crescimento e do desenvolvimento, devem ser avaliados aspectos como higiene, saúde bucal, desenvolvimento motor e emocional, maturação sexual e vacinação.

Algumas alterações nessa fase exigem intervenção precoce, como fimose e problemas relacionados aos testículos. O médico de família também passa a exercer um papel importante desde a infância.

Na adolescência, um urologista deve fazer parte do acompanhamento médico. Para Ricardo Ferro, coordenador da Urologia do Hospital Brasília, da Rede Américas, o primeiro contato com esse profissional deve ocorrer entre 12 e 18 anos.

Nessa fase, o urologista pode orientar sobre ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), higiene, sexualidade e autocuidado, além de avaliar o desenvolvimento puberal.

Já entre os 20 e os 39 anos, o médico de família segue como principal referência para os cuidados preventivos, monitorando a vacinação, o risco de obesidade, hipertensão, diabetes e ISTs. Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado a especialistas.

“Nessa fase, um dos principais cuidados é manter a vacinação em dia. Na infância, esse acompanhamento costuma ser feito pelos pais, mas, na adolescência e na vida adulta, muitas pessoas deixam de conferir se o esquema vacinal continua atualizado”, diz Branco.

Ainda nessa fase, o urologista ganha mais importância para o acompanhamento da saúde sexual e reprodutiva e para o diagnóstico de condições como varicocele, principal causa de infertilidade masculina, além do câncer de testículo, cuja incidência é maior entre homens jovens.

A partir dos 40 anos, aumentam os cuidados com doenças cardiovasculares, diabetes, alterações do colesterol e alguns tipos de câncer.

O acompanhamento continua sendo individualizado e pode incluir o encaminhamento para especialistas, como cardiologistas e endocrinologistas, conforme o histórico e os fatores de risco de cada paciente.

Já a partir dos 45, inicia-se a discussão sobre a avaliação para câncer de próstata. A doença é silenciosa e não apresenta sintomas na fase inicial. Muitos pacientes só recebem o diagnóstico em estágios avançados, quando as chances de cura diminuem drasticamente. Por isso a importância de uma vigilância constante desde essa fase.

Para homens sem fatores de risco, essa conversa deve começar por volta dos 50 anos. Já para aqueles com histórico familiar de câncer de próstata em parentes de primeiro grau, como pai ou irmãos, e para homens negros ou obesos —que apresentam maior risco de desenvolver formas mais agressivas da doença—, ela deve ocorrer a partir dos 45 anos.

“A avaliação combina o exame de toque retal, que analisa a consistência e o formato da próstata, e o exame de sangue PSA. Os dois são complementares. Um não substitui o outro”, afirma Ferro.

Depois dos 60 anos, o médico de família continua coordenando o acompanhamento e passa a dar maior atenção à prevenção de quedas, preservação da autonomia, saúde cognitiva, auditiva e visual, além da revisão de medicamentos e do estado nutricional, já que a perda de massa muscular pode comprometer a funcionalidade.

Quando necessário, o paciente é encaminhado para especialistas, de acordo com suas necessidades.

Fonte: Folha de S. Paulo