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José Sarney: por que a pneumonia é mais perigosa para os idosos?

O ex-presidente José Sarney — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O ex-presidente da República José Sarney, 96 anos, foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar um quadro de pneumonia bacteriana. Esta é a segunda vez que o político é internado neste mês pela mesma doença. Ele deu entrada no hospital no dia 13 pelo mesmo quadro e recebeu alta três dias depois, em 16 de setembro.

A pneumonia é uma infecção respiratória que afeta os pulmões, pode ser causada por bactérias, vírus e, em casos raros, por fungos. Acomete principalmente pessoas com doenças pulmonares e idosos com mais de 60 anos.

A doença não é transmissível, mas, se não tratada corretamente, pode levar à morte — é a principal causa de óbito por doença infecciosa no mundo.

Sintomas

As pneumonias bacteriana, viral e fúngica têm sintomas parecidos com a gripe, como catarro amarelado, febre alta, tosse e falta de ar, e podem confundir o paciente. Entretanto, o que difere são dores inflamatórias fortes no pulmão, respiração acelerada, sensação de peito carregado e pesado, calafrios, mudanças na pressão arterial, mal-estar generalizado, além de sentir um cansaço e fadiga extrema. Esses sinais podem permanecer por três dias ou mais, mesmo depois de tomar remédio.

Riscos em idosos

A complicação mais comum no caso de uma pneumonia que pode levar um paciente ao óbito é o baixo nível de oxigênio na corrente sanguínea, causando falta de ar e que pode causar um quadro de insuficiência respiratória, além de uma parada cardiorrespiratória.

A diminuição da pressão arterial também pode ser uma possível causa de morte, visto que o micro-organismo responsável pela pneumonia pode entrar na corrente sanguínea, ou a resposta do corpo à infecção pode ser exagerada, resultando em um quadro clínico denominado sepse, inflamação que se espalha pelo organismo diante de uma infecção, podendo levar à queda da pressão arterial e falência de órgãos.

A pneumonia não tratada também pode causar um abscesso pulmonar, formado quando uma pequena área do pulmão morre e um acúmulo de pus se forma no lugar, podendo resultar em uma infecção necrosante. Outra complicação desencadeada pela condição é um empiema, presença de pus no espaço entre o pulmão e a parede torácica, que também pode levar à morte.

Por último, entre os principais riscos, ainda há as lesões graves dos pulmões, que podem ter quadros irreversíveis da doença. Isso acontece após uma infecção devastadora ou inflamação excessiva em resposta à infecção. Essas lesões podem causar falta de ar, geralmente com uma respiração rápida e superficial. Pacientes com este tipo de quadro podem precisar de apoio respiratório com um ventilador mecânico por um período estendido.

Pneumonia bacteriana x pneumonia viral

Pessoas com pneumonia bacteriana têm uma progressão mais rápida da doença e início abrupto dos sintomas e, geralmente, sem nenhum sintoma respiratório anterior. Já em infecção bacteriana hospitalar, há maior risco de morte, devido à baixa imunidade dos pacientes e à agressividade do agente infeccioso.

Por outro lado, a pneumonia viral geralmente surge associada a um quadro respiratório pré-existente, como congestão nasal, gripe e a Covid-19. Já a pneumonia fúngica, muito rara, tem uma progressão mais lenta, sintomas arrastados e febre baixa.

Causas

Em caso de pneumonia adquirida na comunidade, a pessoa entra em contato com bactérias comuns do seu cotidiano, mas, por alguma deficiência no sistema imunológico, pode desenvolver a doença.

Já no caso hospitalar, é adquirida quando o paciente está internado, principalmente intubado, e contrai a doença por contato com bactérias presentes no hospital, mais agressivas e resistentes a antibióticos. Geralmente, são quadros mais letais.

O tipo viral é desenvolvido em decorrência de outras condições respiratórias que facilitam a entrada de agentes infecciosos que levam à pneumonia. No caso fúngico, ocorre em contato com ambientes isolados, como cavernas, e dificilmente há casos em zonas urbanas.

Tratamento

Dependendo do tipo de pneumonia, o médico pode prescrever antibióticos, antivirais, antifúngicos ou antiparasitários. Exercícios de respiração profunda também podem ser um bom aliado.

As pessoas com pneumonia que estão com falta de ar ou têm baixos níveis de oxigênio no sangue recebem oxigênio suplementar, geralmente através de um pequeno tubo plástico nas narinas (cânula nasal).

Apesar de o repouso ser uma parte importante do tratamento, o repouso absoluto pode ser nocivo e as pessoas são incentivadas a fazer pequenos exercícios, como breves caminhadas entre os cômodos da casa, ou, em casos mais graves, sair da cama para se sentar em uma cadeira do outro lado do quarto.

Histórico de internação do ex-presidente

Nas redes sociais, Sarney afirmou que iria a São Paulo para realizar um “check-up” após o quadro de pneumonia diagnosticado no dia 13. No vídeo, Sarney brincou que, aos 96 anos, “até unha encravada é grave”.

— Estou indo pra São Paulo porque, depois da pneumonia que eu tive, eu tive necessidade de fazer um check-up para ver como é que estou, uma vez que, com 96 anos, o velhinho aqui tem que saber como é que a máquina está funcionando. E acho que, na minha idade, até unha encravada é grave, né? Eu espero que tudo corra muito bem e que em breve eu esteja de volta aqui ao Maranhão para participar do final das eleições que nós vamos ter aqui e que Roseana concorre com brilhantismo — disse.

Na primeira internação, o ex-presidente recebeu tratamento com antimicrobianos administrados por via intravenosa.

Durante os três dias no hospital, o ex-presidente se manteve estável, com a pressão arterial controlada e respirando sem necessidade de suporte de oxigênio. De acordo com o novo boletim médico, divulgado na noite de quinta-feira (24), Sarney segue estável e sob cuidados médicos.

Fonte: O Globo