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Envelhecimento da população vai mudar consumo e favorecer empresas de saúde, diz estudo

Lar para idosos em São Paulo, no Alto da Lapa – Rubens Cavallari-19.mai.26/Folhapress

Estudo da EQI Research se propõe a mostrar como o envelhecimento da população brasileira deve transformar o consumo no país nos próximos anos. E segundo o levantamento, dois dos setores que serão mais beneficiados serão saúde e farmacêutico.

Dados do Bureau of Labor and Statistics, órgão do governo norte-americano, citados no relatório, mostram que o gasto médio com saúde salta de 5,5% da renda entre 55 e 64 anos para 14,1% acima dos 75 anos. No Brasil, o número de exames na saúde suplementar cresceu de 923 milhões em 2019 para 1,184 bilhão em 2024, taxa média de 5% ao ano, pelas informações do Fleury.

O varejo farmacêutico também aparece como destaque. Segundo a Kaiser Family Foundation, ONG dos EUA que analisa políticas de saúde, 89% das pessoas com 65 anos ou mais tomam algum medicamento, e 54% consomem quatro ou mais remédios simultaneamente, contra 38% e 7%, respectivamente, na faixa de 18 a 29 anos.

O Instituto Credence Research projeta crescimento do mercado farmacêutico global de US$ 1,45 trilhão em 2024 para US$ 1,97 trilhão em 2032.

Na outra ponta do estudo, o setor educacional seria o mais prejudicado. No Brasil, as matrículas na educação básica recuaram em cerca de um milhão em 2025. Entre 2016 e 2025, a perda acumulada é de dois milhões de estudantes, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), autarquia ligada ao Ministério da Educação.

O relatório cita ainda os casos do Japão, com queda de 200 mil universitários entre 2006 e 2018, e da Coreia do Sul, que fechou mais de 4.000 escolas desde 1980 e tem a menor taxa de fecundidade do mundo, 0,75 em 2024.

A conclusão do relatório é que a mudança na composição etária altera diretamente os padrões de gasto das famílias, já que a estrutura de consumo varia conforme a faixa etária.

O Brasil cresce a uma taxa de 0,4% ao ano e deve atingir o pico populacional em 2044, quando a população passará a encolher. A taxa de fecundidade caiu de seis filhos por mulher em 1960 para 1,61 atualmente, abaixo da taxa de reposição de 2,1. A expectativa de vida no país aumentou 22,8 anos desde 1960, superando 76 anos em 2024.

Em 2070, mais de 50% dos brasileiros deverão ter mais de 45 anos, ante menos de 34% hoje.

Levando o estudo para empresas listadas na Bolsa, a EQI Research destaca Rede D’Or, Fleury e BradSaúde como preferências entre as que podem surfar nessa tendência de alta. No lado oposto, são citadas a Cogna, Yduqs, Ânima e Ser Educacional, no setor educacional.

Fonte: Folha de S. Paulo