
A campanha eleitoral sempre é pródiga em promessas e números que os candidatos à Presidência da República repetem ao seu bel-prazer na propaganda gratuita no rádio e na televisão. Entretanto, o que aparece nunca é o que realmente interessa a quem precisa conhecer a realidade nacional, mas o país retratado por marqueteiros.
Como vivemos novamente o período eleitoral, vale a pena nos determos em um diagnóstico a respeito da renda dos brasileiros porque o seu poder aquisitivo é determinante em sua qualidade de vida. A situação é estarrecedora. Nada menos do que 163 milhões de cidadãos – o correspondente a 76,38% da população nacional – vive (ou sobrevive) com renda mensal média de apenas R$ 787,00. Esse valor corresponde a menos (precisamente 48,55%) de um salário-mínimo, atualmente fixado em R$ 1.621,00.
Essa média é formada por 112 milhões de pessoas com renda de até R$ 407,23 e outros 51 milhões de cidadãos cuja renda é de um salário-mínio (R$ 1.621,00). Esse grupo de 112 milhões de brasileiros é formado por cidadãos que não possuem renda de trabalho. Ele totaliza pouco mais da metade (52,47%) da população.
Desse grupo, 60 milhões (28,10% dos brasileiros) são beneficiários do Bolsa Família (que vivem na extrema pobreza ou pobreza) e 7 milhões de beneficiários do programa BPC (Benefício de Prestação Continuada), recebendo o valor máximo de um salário-mínimo mensal. Somam-se a ele idosos acima de 60 anos e deficientes, todos eles sem renda alguma.
Há, ainda, outro grupo, constituído por 21 milhões de crianças de até 12 anos que vivem em lares inseridos na pobreza; 8 milhões de brasileiros maiores de 12 anos que apenas estudam e não trabalham (nem-nem) vivem na pobreza; 11 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que nem estudam nem trabalham, e outros 5 milhões de pessoas adultas sem qualquer renda e sem o benefício do Bolsa Família. No total, somam 45 milhões de pessoas, ou 21,08% da população.
Esses números – todos oficiais – comprovam que é nulo o processo distributivo de renda no Brasil. Afinal, mais de 76,38% da população tem renda per capita média de menos de R$787,00 por mês. Uma situação grave, que contrasta com a posição do país como a 10ª economia do mundo. O Brasil, é hoje, uma nação em que 76% de sua população vive em lares com renda familiar inferior a um salário-mínimo mensal. (Triste, lamentável e injustificável)
Os principais responsáveis por tão lastimável panorama são os presidentes que governaram o Brasil nos últimos 25 ou 30 anos, mais da metade (17,6 anos) desse período por um mesmo partido e, nesse interregno, 12 anos sob a administração de um mesmo chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva. (Atual Presidente e candidato ao 4° mandato)
Todos os presidentes desse período foram reprovados, pois nenhum conseguiu erradicar a pobreza. Muitos fizeram dela mote de campanha e nenhum foi capaz de diminuir de forma significativa com o enorme abismo social que permeia a sociedade brasileira. Nenhum deles, de fato priorizou a Educação e sem ela não há salvação. (E ela não veio)
Programas sociais foram implantados e ainda servem como paliativos, porém as raízes do problema jamais foram atacadas com a seriedade que exigem, soando mesmo como proposital a manutenção da dependência dos mais pobres a benefícios que socorrem, porém não libertam nem emancipam os cidadãos. Não é a toa que 13 das 27 unidades da Federação têm mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada.
O atual governo assumiu em 1º de janeiro de 2022 e, desde março de 2023, deixou de reajustar o valor do Bolsa Família, o principal programa social do país. O valor do benefício permaneceu o mesmo e foi sendo corroído pela inflação que, no período, somou 15,29%, se considerado o IPCA, ou 14,32%, se levado em conta o INPC. Ou seja, R$ 108,43 por mês – considerando-se o INPC – no bolso do beneficiário. E, consequentemente, menos arroz, feijão, leite e outros alimentos na mesa das famílias necessitadas. Além disso, a picanha e a cerveja, prometidas na última campanha, também não se concretizaram. Somente agora, a 19 dias do primeiro turno das eleições, o governo concedeu reajuste de 15% no valor do Bolsa Família, que passará de R$ 600,00 para R$ 691,00 por família. Para os conformistas, antes tarde do que nunca. Para os realistas, uma prova de que somente a necessidade de votos “sensibiliza” os governantes. Perpetra-se a crueldade durante anos e, às vésperas do pleito, abre-se a caixa de bondades, complementada com a promessa de distribuição gratuita de canetas emagrecedoras pelo SUS.
O mesmo governo ainda prejudicou os trabalhadores ao alterar a fórmula do reajuste do salário-mínimo nos últimos dias de 2024. A mudança reduziu o reajuste e também impôs limite à parcela acima da inflação, impactando 85% da população. (Crueldade)
Fica claro que, para os governantes, nada é mais importante do que o projeto da própria reeleição. Para isso, não há economia dos recursos públicos para a cooptação de apoios, para o pagamento de privilégios injustificáveis, emendas parlamentares – cujo total supera R$ 30 bilhões/ano – e gastos extraordinários com o Judiciário, um dos três mais custosos do mundo. Por outro lado, a máquina administrativa continua inchada, ineficiente e cara, e a corrupção segue sugando os cofres da nação e enriquecendo corruptores e corruptos e todos impunes.
No Brasil atual, os fins justificam os meios, que são estarrecedores.






