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A mensagem dizia que a aposentadoria seria bloqueada. O verdadeiro perigo era acreditar em quem enviou o aviso

Reprodução

Uma mensagem no celular informa que a aposentadoria será suspensa. Outra oferece a devolução de valores descontados pelo INSS. Há ainda telefonemas de supostos funcionários da Previdência Social pedindo documentos, senhas ou confirmação de dados bancários. Essas abordagens podem parecer procedimentos administrativos comuns, mas estão entre as estratégias utilizadas por criminosos para aplicar golpes em aposentados e pensionistas.

Em setembro de 2026, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou um novo alerta sobre falsas solicitações de prova de vida. Segundo o órgão, criminosos enviam mensagens ameaçando interromper o pagamento caso o beneficiário não atualize imediatamente suas informações pessoais.

A fraude explora uma preocupação concreta: para milhões de brasileiros, a aposentadoria é a principal fonte de renda. A possibilidade de perder o pagamento mensal pode levar o beneficiário a agir rapidamente, sem verificar a origem do contato.

Falsa prova de vida usa ameaça de bloqueio para roubar dados

A prova de vida continua sendo um procedimento necessário para a manutenção dos benefícios previdenciários, mas sua realização mudou. Atualmente, o INSS utiliza o cruzamento de informações de bases governamentais para verificar automaticamente a situação dos beneficiários.

Quando essa verificação não é possível, o cidadão pode receber uma comunicação oficial para regularizar sua situação.

Em outubro de 2026, o INSS esclareceu que avisos legítimos podem ser enviados pela conta verificada do Governo do Brasil no WhatsApp e pela caixa postal do gov.br. Essas mensagens são informativas e não solicitam senhas, dados bancários, pagamentos ou acesso a links de regularização.

A distinção é importante porque os golpistas reproduzem a aparência de comunicados oficiais, utilizam logotipos do governo e estabelecem prazos urgentes. O objetivo costuma ser direcionar a vítima para páginas falsas, nas quais informações pessoais são capturadas.

Quem deseja consultar a situação da própria prova de vida pode utilizar o aplicativo Meu INSS ou ligar para a Central 135, sem precisar acessar links recebidos de desconhecidos.

Golpistas também se apresentam como funcionários do INSS

As fraudes não acontecem apenas pela internet. Em abril de 2026, o INSS alertou para criminosos que visitavam residências se passando por servidores do instituto.

Os falsos funcionários alegavam necessidade de revisão do benefício, atualização cadastral ou realização da prova de vida. Para transmitir credibilidade, utilizavam crachás e adotavam uma postura semelhante à de profissionais em atendimento oficial.

O risco está na coleta de documentos, fotografias e informações que posteriormente podem ser utilizados em operações financeiras fraudulentas.

O INSS orienta os segurados a não permitir a entrada de desconhecidos que apareçam sem solicitação prévia para esses procedimentos. O instituto não envia funcionários às residências para pedir senhas ou dados bancários.

Descontos indevidos e empréstimos consignados merecem atenção

Outro problema envolvendo os benefícios previdenciários ganhou relevância nacional após a descoberta de descontos associativos não autorizados.

Em fevereiro de 2026, o INSS informou que aproximadamente R$ 2,9 bilhões já haviam sido devolvidos a 4,2 milhões de aposentados e pensionistas no processo de ressarcimento administrativo.

A situação levou a mudanças na legislação. A Lei nº 15.327, sancionada em 6 de janeiro de 2026, proibiu descontos de mensalidades associativas nos benefícios administrados pelo INSS e estabeleceu medidas de proteção e ressarcimento dos prejudicados.

É importante distinguir essas irregularidades dos golpes praticados por pessoas que se apresentam falsamente como representantes do governo. Criminosos podem se aproveitar da repercussão dos descontos indevidos para oferecer uma suposta liberação de valores mediante pagamento antecipado ou envio de documentos.

O INSS esclarece que o ressarcimento oficial não exige pagamento de taxas ou contratação de intermediários.

Os empréstimos consignados também exigem acompanhamento. Como as parcelas são descontadas diretamente da aposentadoria, uma contratação não reconhecida pode comprometer a renda mensal durante um período prolongado.

A recomendação do INSS é consultar regularmente o extrato de pagamentos e manter o benefício bloqueado para novos empréstimos quando não houver intenção de contratar crédito. O bloqueio pode ser solicitado pelo Meu INSS.

Como identificar uma tentativa de golpe

Antes de responder a um contato relacionado à aposentadoria, alguns cuidados ajudam a reconhecer situações suspeitas:

  • Ameaça de suspensão imediata: desconfie de mensagens que exigem atualização urgente por links recebidos por SMS ou WhatsApp.
  • Cobrança para liberar dinheiro: o INSS não exige taxas para realizar o ressarcimento administrativo de descontos indevidos.
  • Pedido de senha ou código de segurança: não compartilhe credenciais do gov.br, informações bancárias ou códigos recebidos no celular.
  • Oferta de empréstimo não solicitada: confirme diretamente com a instituição financeira antes de aceitar qualquer contratação.
  • Visitas inesperadas: não entregue documentos nem permita a coleta de dados por pessoas que alegam representar o INSS sem confirmação oficial.

Uma medida simples é interromper o contato e procurar o órgão ou banco por iniciativa própria, utilizando o aplicativo oficial, o endereço eletrônico conhecido ou um telefone verificado.

Caiu em um golpe? Saiba como agir

A rapidez da reação pode fazer diferença na tentativa de reduzir o prejuízo.

Quando houver transferência de dinheiro, o Banco Central recomenda procurar imediatamente o banco e registrar um boletim de ocorrência, reunindo comprovantes, mensagens e dados da transação.

Se o pagamento foi realizado por Pix, a vítima pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado para auxiliar na recuperação de valores em situações de fraude. O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação, mas a orientação é agir o mais rápido possível. A devolução não é garantida e depende da análise das instituições e da disponibilidade dos recursos.

Quando a suspeita envolve a aposentadoria, é necessário verificar o extrato no Meu INSS para identificar possíveis descontos ou contratos desconhecidos. Se houver empréstimo não reconhecido, o beneficiário deve contestar a operação junto à instituição financeira responsável e guardar os protocolos de atendimento.

Se a situação não for resolvida, o consumidor pode recorrer ao Procon, registrar reclamação no Banco Central, quando envolver uma instituição supervisionada, ou procurar orientação jurídica.

A proteção da aposentadoria exige atenção tanto às mensagens recebidas quanto aos valores descontados mensalmente. Conferir o extrato e utilizar canais oficiais são medidas acessíveis que ajudam a identificar irregularidades antes que elas comprometam o orçamento.

Fonte: Portal Longevidade365