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Quase 1 em cada 4 eleitores do Brasil tem mais de 60 anos e muda o jogo nas eleições

Pessoas com 60 anos ou mais representam 23,6% do eleitorado – Foto: Neto Talmeli/Prefeitura de Uberaba-MGFonte: Agência Câmara de Notícias

O envelhecimento da população brasileira já se reflete diretamente nas urnas. Nas eleições de 2026, o país chegou a 37,45 milhões de eleitores com 60 anos ou mais, o equivalente a 23,6% do eleitorado total. Em 2022, eram 32,89 milhões, ou 21,02% do total. Isso significa que o grupo ganhou mais de 4,5 milhões de votantes em apenas quatro anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Esse avanço ajuda a explicar por que temas relacionados à longevidade passaram a ocupar mais espaço nas campanhas. Saúde pública, acesso a medicamentos, Previdência, assistência social, moradia, mobilidade urbana, inclusão digital e políticas de cuidado deixaram de ser assuntos restritos a uma parcela pequena da sociedade, tornando-se centrais para o debate nacional.

  • Quase 1 em cada 4 eleitores no Brasil tem 60 anos ou mais.
  • O grupo de eleitores idosos cresceu mais de 4,5 milhões em 4 anos.
  • Voto se torna facultativo a partir dos 70 anos, mas mantém peso político.
  • Justiça Eleitoral criou programas de transporte especial para idosos.
  • Especialistas alertam que propostas isoladas não bastam; é preciso planejamento de longo prazo.

Voto facultativo não reduz importância política

No Brasil, o voto se torna facultativo a partir dos 70 anos. Isso significa que a pessoa pode participar das eleições, mas não sofre as consequências previstas para quem deixa de votar quando o comparecimento é obrigatório, como a perda do passe-port ou multa.

A mudança de regra, entretanto, não diminui a relevância política desse eleitorado. Ao contrário: o crescimento do número de brasileiros mais velhos torna a participação desse grupo cada vez mais importante para definir prioridades e cobrar compromissos dos governantes.

Votar depois dos 70 anos também é uma forma de fazer com que experiências e necessidades acumuladas ao longo da vida sejam consideradas na formulação das políticas públicas. Isso inclui não apenas aposentadorias e atendimento médico, mas também combate à violência patrimonial, apoio a familiares cuidadores, formação continuada, acesso à tecnologia e oportunidades de trabalho.

Também é necessário evitar a ideia de que os idosos formam um bloco político uniforme. Renda, escolaridade, gênero, raça, território, condições de saúde e estrutura familiar influenciam tanto as prioridades quanto às escolhas eleitorais, exigindo um olhar mais detalhado.

Justiça Eleitoral adota medidas de inclusão

Para facilitar o exercício do voto, a Justiça Eleitoral garante atendimento prioritário às pessoas com 60 anos ou mais. Eleitores acima de 80 anos possuem preferência absoluta na fila, independentemente do horário em que chegarem à seção de votação.

Em 2026, o TSE também instituiu o programa Seu Voto Importa, que prevê transporte especial para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida sem meios próprios de chegar ao local de votação. A norma inclui idosos que enfrentem dificuldades efetivas de locomoção.

Seções acessíveis, possibilidade de auxílio por pessoa de confiança e atenção às condições dos prédios eleitorais também integram as medidas de inclusão. Essas iniciativas são importantes porque tornar o voto facultativo não elimina barreiras físicas, digitais ou de transporte que podem afastar parte desse público das urnas.

Representação ainda não acompanha o peso demográfico

Uma apuração do VIVA notícias, maior portal 50+ do Brasil, que ouviu especialistas para analisar como o envelhecimento aparece nas políticas públicas e nas propostas dos candidatos à Presidência em 2026. O levantamento busca entender as lacunas entre a realidade demográfica e as propostas políticas.

O cientista político Marco Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas, avalia que a presença das pessoas idosas no debate ainda é inferior à importância e ao tamanho desse grupo na sociedade. Já Jorge Chaloub, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, observa que a redução proporcional dos mais jovens e o aumento da população idosa ampliaram o peso eleitoral da agenda.

As análises apontam uma distância entre reconhecer o envelhecimento e transformar o tema em política de Estado. Medidas isoladas podem produzir resultados pontuais, mas não substituem planejamento de longo prazo, orçamento, metas e articulação entre União, estados e municípios.

O crescimento do eleitorado idoso transforma a longevidade em questão central para a democracia brasileira. Mais do que disputar votos, as eleições de 2026 colocam diante dos candidatos uma pergunta estrutural: como preparar o país para uma sociedade que envelhece rapidamente e deseja continuar participando das decisões públicas.

Fonte: Portal Bra1