
O uso de redes sociais está associado a uma pior percepção da saúde mental entre pessoas com 55 anos ou mais. A conclusão é resultado de um estudo internacional que analisou dados de mais de 13 mil idosos.
A pesquisa identificou que usuários frequentes dessas plataformas tendem a relatar níveis mais baixos de bem-estar psicológico.
“As redes sociais podem acabar estimulando comparação constante com as outras pessoas. O excesso de conteúdo negativo também pode aumentar sentimentos de solidão, ansiedade e até a percepção de que a própria vida não é tão boa quanto a dos outros idosos”, disse a psicóloga Kamila Vilela.
Os resultados do estudo mostraram que mais da metade dos idosos entrevistados usavam aplicativos de mensagens instantâneas.
Outra consequência, que pode contribuir para uma pior percepção da saúde mental entre pessoas com 55 anos ou mais, é o isolamento devido ao uso excessivo dessas plataformas, alerta Cecília Galetti, psicóloga especialista em gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
“O uso excessivo das redes sociais pode fazer a pessoa deixar de fazer outras atividades importantes, como cuidar das tarefas pessoais e até não ver família e amigos, gerando, ou acentuando, isolamento social e afastamento do convívio familiar”, alertou Cecília.
O segredo para evitar prejuízos à saúde mental pelo uso das redes sociais está no equilíbrio, destaca a psicóloga Kamila Vilela.
“Vale a pena escolher bem o conteúdo que você consome, estabelecer alguns limites de tempo e, principalmente, não deixar que a vida aconteça só pela tela. As relações presenciais continuam sendo fundamentais para a nossa saúde mental”, destacou a psicóloga.
Além de prevenir contra prejuízos psicológicos, não fazer uso excessivo das redes sociais pode evitar outros riscos à saúde, afirma Daniela Barbieri, geriatra e primeira secretária da SBGG-ES.
“Priorizar a qualidade e o tempo do uso da tela e de redes sociais pode evitar sedentarismo, alterações do sono e fadiga visual. A tecnologia não deve substituir relações humanas e hábitos saudáveis”, afirmou.
Exemplo positivo
“Desgrude da internet”
Isabel Nascimento, de 63 anos, defende o uso equilibrado das redes sociais e incentiva a priorizar o convívio com familiares, amigos e atividades fora das telas | Foto: Leone Iglesias/AT
As redes sociais são boas, mas podem levar à ruína. Quem faz o alerta é Isabel Nascimento, educadora infantil de 63 anos.
“Eu uso TikTok e posto vídeos que ajudam as pessoas. A rede social pode trazer virtudes, mas também transtornos. Conheço gente que não sai mais de casa, só fica no celular”, contou.
A idosa conta que pratica crochê e cuida de plantas para usar menos as redes, e dá conselhos: “Procure a família e amigos, desgrude um pouco da internet”.
Saiba Mais
Pesquisa com idosos
13.536 pessoas com 55 anos de idade ou mais participaram de uma pesquisa que avaliou como o uso de redes sociais pode estar associado a uma pior percepção da saúde mental.
O estudo fez parte da Pesquisa Canadense de Uso da Internet de 2022, por meio da Universidade de York, e foi publicado na revista científica PLOS Global Public Health.
Redes sociais
Com o avanço da inclusão digital, os idosos se tornaram um dos grupos que mais crescem na internet. No Canadá, 83% das pessoas dessa faixa etária participaram de atividades online em redes sociais.
De acordo com a análise, idosos usuários de redes sociais relataram avaliações mais negativas de seu estado psicológico quando comparados aos que não utilizavam plataformas digitais na internet.
59,6% dos entrevistados utilizavam aplicativos de mensagens instântaneas, 52,3% acessavam redes sociais e 44,4% realizavam chamadas de voz ou de vídeo pela internet.
60,6% classificaram a saúde mental como “muito boa” ou “excelente” e apenas 1,7% relataram uma condição considerada ruim.
Impactos psicológicos
Entre algumas hipóteses para explicar essa associação está a exposição frequente a conteúdos perturbadores e o fenômeno da comparação social, em que as pessoas avaliam a própria vida com base nas experiências e imagens compartilhadas por outros usuários.
O estudo também cita pesquisas anteriores, que relacionaram determinadas atividades online ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão em idosos, embora os resultados da literatura científica ainda sejam considerados contraditórios.
Causa e efeito
Os pesquisadores destacam que os resultados devem ser interpretados com cautela.
A pesquisa permite identificar associações, mas não estabelece relações diretas de causa e efeito.
Prevenção para a saúde
Algumas práticas simples podem ser inseridas na rotina como forma de prevenção contra efeitos prejudiciais à saúde mental devido ao uso das redes sociais.
Estabeleça horários para usar as redes, e não fique acessando-as o tempo todo.
Mantenha atividades fora da internet, como caminhada, encontro com amigos, grupos ou hobbies.
Faça uma “limpeza” na rede social, deixando de seguir perfis que geram ansiedade ou comparação e priorizando conteúdos que tragam aprendizado e bem-estar.
Fonte: Tribuna online





