
As quedas representam um dos principais riscos à saúde da população com 60 anos ou mais. Dados revelam que uma em cada cinco pessoas idosas no Brasil já sofreu ao menos uma queda no último ano, sendo que mulheres apresentam maior vulnerabilidade do que homens.
Mas a boa notícia é que a maioria desses episódios pode ser evitada. Este guia reúne estratégias práticas e acessíveis para proteger a saúde e preservar a autonomia na terceira idade, baseadas em orientações de saúde pública e evidências científicas brasileiras.
Por que as quedas são um problema de saúde pública
O crescimento da população idosa no Brasil torna a prevenção de quedas uma prioridade crescente. Entre 2010 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou 70,7%, alcançando 35,4 milhões de brasileiros.
O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) revela que 20,9% das pessoas nessa faixa etária relataram ter sofrido ao menos uma queda no último ano. A prevalência foi significativamente maior entre as mulheres, com 24,9%, comparado a 15,7% entre os homens.
Entre aqueles que caíram, 39% declararam duas ou mais ocorrências no período. Além disso, 34,3% buscaram algum atendimento em saúde após o episódio, e 3% informaram ter sofrido fratura de quadril ou fêmur. Esses números demonstram o importante impacto das quedas tanto na saúde individual quanto nos serviços de saúde.
Fatores de risco identificados
Com o envelhecimento, podem surgir alterações no equilíbrio que aumentam a vulnerabilidade às quedas. Problemas de visão também figuram entre os fatores que interferem na funcionalidade das pessoas com 60 anos ou mais.
Esses fatores, quando combinados com ambientes inadequados, criam condições propícias para acidentes. A identificação precoce desses riscos permite implementar medidas preventivas eficazes.
Exercícios físicos para força e equilíbrio
As atividades físicas desempenham papel central na prevenção de quedas. Os exercícios recomendados trabalham quatro áreas essenciais: flexibilidade, equilíbrio, força muscular e visão.
O programa de treinamento se estende por até doze semanas, com atividades pré-determinadas de fácil execução. A programação foi desenvolvida para demonstrar que pequenas mudanças na rotina contribuem de forma eficaz para a autonomia e qualidade de vida.
Os treinamentos para o corpo trabalham flexibilidade, equilíbrio, força e exercícios para a visão, apresentados com linguagem acessível e imagens que facilitam a execução das atividades.
Atividades cognitivas para a mente
Além dos exercícios físicos, as atividades mentais complementam a estratégia de prevenção. O programa apresenta exercícios cognitivos para estimular a memória e o raciocínio lógico.
Esses exercícios são apresentados em formato de jogos que também proporcionam a socialização.
Adaptações no ambiente domiciliar
A adequação do ambiente onde a pessoa idosa vive constitui medida preventiva essencial. As recomendações incluem ajustes que tornem o espaço domiciliar mais seguro.
Estas são mudanças que podem ser incorporadas no dia a dia para reduzir os riscos de acidentes.
Avaliação da visão e revisão de medicamentos
A avaliação regular da visão representa outra medida importante na estratégia de prevenção.
A revisão de medicamentos também é parte fundamental do cuidado preventivo oferecido pelas equipes de saúde.
Cuidado multiprofissional no SUS
As Unidades Básicas de Saúde oferecem diferentes estratégias de cuidado à população idosa. Entre os programas disponíveis estão o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil) e o Programa Academia da Saúde (PAS).
As equipes de Saúde da Família (eSF) e as equipes multiprofissionais (eMulti) também atuam na assistência. Esses serviços do Sistema Único de Saúde desempenham papel importante na identificação de fatores de risco para quedas.
Os profissionais orientam para a prática segura de atividades físicas, realizam revisão de medicamentos e recomendam adaptações que tornem o ambiente domiciliar mais seguro. Esse acompanhamento multiprofissional amplia significativamente a eficácia das medidas preventivas.
Implementando as mudanças no dia a dia
Para a Secretária de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, os cuidados em saúde devem ser acessíveis. Segundo ela, a estratégia visa aproximar essas práticas “de forma fácil, para que sejam incorporados no dia a dia da pessoa idosa, de seus familiares e cuidadores”.
A proposta utiliza linguagem acessível e recursos visuais que facilitam a execução das atividades. O objetivo é demonstrar que medidas simples, quando praticadas regularmente, produzem resultados significativos na prevenção de quedas e na manutenção da independência.
Fonte: Itatiaia





