
27/11/2025
Viver hoje sem dominar o digital é viver pela metade. E é isso que está acontecendo com boa parte da população idosa no Brasil e no mundo.
Atualmente, não dominar o digital é não conseguir acessar direitos básicos que hoje só existem online: marcar uma consulta no SUS, fazer um Pix, acessar o contracheque, ver resultado de um exame ou comprar passagem… Tudo virou app, QR Code e sites.
Quando olhamos para a arquitetura digital dessas ferramentas, letras pequenas, ícones sem nome e menus escondidos. São aplicativos feitos para quem já nasceu com smartphone na mão – e isso passa longe de ser a realidade de milhares de pessoas.
E quem não sabe lidar com esse mundo?
Está fadado a depender dos outros?
A insegurança paralisa.
Sem dúvidas, no mundo atual, o letramento digital é sinônimo de autonomia. É dignidade, é direito. Não é certo submetermos nossos idosos à dependência de familiares ou de terceiros.
O problema, no entanto, não é a idade. É a exclusão digital. Ao contrário do que muitos pensam, idoso aprende sim, mas o ensino precisa ter paciência, não pressa. Afinal, letramento digital vai muito além de apenas “saber mexer no celular”. Quem não o domina, fica refém da boa vontade alheia.
Não podemos chamar isso de “transformação digital” se ela atropelou e excluiu milhares de pessoas no caminho. Hoje, o cenário brasileiro é de mais de 30 milhões de pessoas com 60+ anos, muitas das quais excluídas por não dominarem o digital.
Essa barreira tecnológica impacta diretamente a saúde, a socialização e a rotina dos idosos. Sem o letramento e com o medo da insegurança online, as consequências são severas. Os idosos sofrem impactos sociais pelo isolamento, e o peso na saúde mental é esmagador: surgem sentimentos de frustração, a sensação de inutilidade e, por consequência, a depressão: “eu sou velho demais pra isso” vira frase comum.
Evolução tecnológica não pode ser sinônimo de exclusão. Essa é uma responsabilidade que cabe ao governo, às escolas, às empresas e a toda uma sociedade que, afinal, envelhece junto.
Fonte: Sindados-MG





