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Idoso de 79 anos conclui Direito e sonha em ser professor após mais de meio século na música no interior de SP

Firmino Ferreira Filho vai se formar em Direito após 63 anos de experiência como maestro de música. — Foto: Firmino Ferreira Filho/Arquivo pessoal

Como forma de se reinventar, um idoso de 79 anos decidiu há cinco anos que ainda era tempo de começar uma nova carreira. Morador de Presidente Prudente (SP), Firmino Ferreira Filho está na última etapa da graduação em Direito, após 63 anos de experiência como maestro de música.

A reportagem, o estudante descreve o motivo pelo qual escolheu começar uma carreira do zero. A previsão é que Firmino apresente o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) nesta quarta-feira (24).

“Sempre amei o Direito, sua redação exclusiva e seu vocabulário próprio. Me via estudando, até materializar a fé. Quero advogar e dar aula em instituições que for convidado.”

Após mais de seis décadas na música, três filhos e quatro netos, Firmino já acumulava no currículo a área de técnico jurídico e experiência como repórter em empresas de comunicação da região, além de ser cantor gospel, declamador literário e escritor.

“A razão do meu título de bacharel em Direito não pertence só a mim; fazem parte meus filhos, colegas de classe, meus professores e amigos que nunca me deixaram sozinho.”

Direito e a música

Na música, ele começou a carreira ainda criança, aos quatro anos, incentivado pelos pais, que cantavam e tocavam viola. Firmino descreve que, entre o Direito e a música, há uma certa semelhança:

“A música e o direito se interligam na sua estrutura: a música pela ordem simultânea das notas que se harmonizam, o direito se harmoniza pelos princípios, doutrina, toda eficiência na interpretação.”

Firmino Ferreira Filho dedica-se há quase seis décadas ao trabalho com música — Foto: Arquivo pessoal
Firmino Ferreira Filho dedica-se há quase seis décadas ao trabalho com música — Foto: Arquivo pessoal

O tema científico escolhido e produzido pelo estudante trata de um tema que impacta a vida dele também: “A falta de reconhecimento aos idosos em uma sociedade moderna de 2020 a 2025”.

“Decidi, no silêncio, ser um professor de Direito e um advogado. Pretendo fazer o exame da Ordem e pós-graduações. Me sinto realizado por ser vencedor.”

“Em minha pesquisa, encontrei o ‘etarismo’, que é a discriminação e incapacidade da pessoa idosa. No lugar [dessa palavra], com o ressurgimento do ‘velho novo’, buscando graduação, apresento um novo vocabulário: ‘ourorismo’”, descreve Firmino.

A palavra criada pelo estudante faz referência ao ouro, para apresentar uma nova cultura e uma nova forma de avaliação do idoso no Brasil.

“Sabendo que temos que mudar nacionalmente a cultura que se refere ao tratamento da pessoa idosa no Brasil. Acreditar que, o mais breve possível, podemos alcançar o reconhecimento dos idosos, como no Japão, Canadá, Suíça, Suécia e outros países que reconhecem valores e imortalizaram os que construíram a história”, completa.

A previsão é que Firmino e os demais colegas da turma de Direito da faculdade particular façam a colação de grau do ensino superior ainda neste ano.

Fonte: G1