
Quase três em cada dez idosos avaliados em Cuiabá apresentaram sintomas depressivos. O dado faz parte do artigo “Depressão em idosos na atenção primária e fatores associados”, realizado com 373 pessoas e que identificou a vulnerabilidade, o déficit cognitivo e a presença de outras doenças entre os principais fatores associados à depressão nessa parcela da população. O estudo ganhou destaque na Revista Sociedade Científica.
Além dos 29% com sintomas depressivos, o levantamento traçou o perfil dos participantes. Entre os idosos avaliados, 63% eram mulheres, 57% eram pretos ou pardos e 49% viviam sozinhos.
O estudo também mostrou que 27% tinham 75 anos ou mais, 26% possuíam renda inferior a R$ 1.320 e 19% não sabiam ler.
Vulnerabilidade como principal fator
Entre as condições analisadas pelos pesquisadores, a vulnerabilidade foi apontada como o fator de maior relevância associado aos sintomas depressivos. O estudo também encontrou relação com déficit cognitivo e comorbidades, ou seja, a presença simultânea de outras doenças ou condições de saúde.
Segundo os pesquisadores, o quadro reforça a necessidade de um acompanhamento mais amplo dos idosos na Atenção Primária à Saúde, já que a depressão nessa faixa etária pode contribuir para o agravamento de doenças crônicas e para a perda de funcionalidade e independência, com impacto direto sobre a qualidade de vida.
O resultado chama atenção diante do envelhecimento acelerado da população. Segundo o Censo 2022, o Brasil tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, crescimento de 56% em comparação com 2010. Em Cuiabá, a população idosa já ultrapassa 56 mil moradores.
Quais são os sinais de alerta?
Em idosos, a depressão nem sempre aparece apenas como tristeza. Entre os sinais que devem chamar a atenção estão:
Sinais de alerta para depressão em idosos
Entre os principais sinais estão:
- Tristeza persistente;
- Perda de interesse em atividades antes prazerosas;
- Alterações no sono e no apetite;
- Queixas físicas frequentes;
- Isolamento social.
As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a principal porta de entrada para quem apresenta esses sinais. Na rede de Atenção Primária, os profissionais podem realizar a triagem inicial e, quando necessário, encaminhar o paciente para acompanhamento especializado.
Pesquisa não equivale a diagnóstico
Os próprios autores ressaltam algumas limitações do trabalho. Como a pesquisa teve delineamento transversal, os resultados mostram associações entre os fatores analisados, mas não permitem afirmar que eles sejam causa direta da depressão.
Outro ponto é que o estudo foi realizado apenas em Cuiabá, o que impede que os percentuais sejam automaticamente aplicados à população idosa de outras cidades ou regiões.
Cuidado precisa ir além da saúde mental
Para os autores, os resultados reforçam a importância da Avaliação Geriátrica Multidimensional dentro da Atenção Primária, permitindo identificar diferentes fatores que podem comprometer a saúde e a autonomia do idoso.

Entre as medidas apontadas estão ações para prevenção e controle de doenças, acompanhamento das comorbidades, incentivo à manutenção da independência e fortalecimento das redes de apoio.
Programas de alimentação adequada, atividades que contribuam para preservar a funcionalidade e iniciativas de convivência e suporte social também são apontados como caminhos para melhorar a qualidade de vida e reduzir situações de vulnerabilidade entre os idosos.
O trabalho é assinado pelo professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ageo Mário Cândido da Silva, em parceria com pesquisadores da Universidade de Cuiabá (UNIC) e da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).
Fonte: Primeira Página





