
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer duras ameaças ao Irã nesta terça-feira, afirmando que “uma civilização inteira vai morrer esta noite” caso não seja alcançado um acordo para encerrar o conflito entre os países.
A declaração foi feita em publicação na rede social Truth Social, na qual Trump elevou o tom ao comentar a rejeição iraniana a propostas de paz intermediadas por terceiros.
“Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser recuperada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “No entanto, agora que temos uma mudança completa e total de regime, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE?”
O presidente norte-americano classificou o momento como decisivo: “Vamos descobrir esta noite, um dos momentos mais importantes na longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente vão acabar. Deus abençoe o grande povo do Irã!”
Entenda possível cessar-fogo e ‘ultimato’ de Trump
EUA e Irã receberam entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira um plano de cessar-fogo em duas etapas elaborado pelo Paquistão, afirmou uma fonte ouvida pela agência Reuters, com previsão de um fim imediato das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, seguido por um período de negociação para um acordo de paz definitivo.
O processo diplomático ocorre enquanto novos ataques são registrados por toda a região, com mortes confirmadas em Israel e na nação persa nesta segunda, e com o prazo do ultimato dado pelo presidente americano, Donald Trump, para a reabertura de Ormuz, até às 21h de terça-feira (horário de Brasília), quase chegando ao fim.
Embora as autoridades americanas não tenham se pronunciado sobre a proposta, o governo do Irã se referiu a termos transmitidos pelo Paquistão e rejeitou qualquer hipótese de cessar-fogo temporário, acrescentando que uma resposta será encaminhada a Islamabad incluindo suas próprias demandas, como o fim definitivo das hostilidades. A Casa Branca confirmou ter recebido uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de 45 dias com o Irã, mas detalhou que Trump “não a validou”.
O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, manteve contato “durante toda a noite” com JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, enviado especial, e Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, segundo a fonte citada pela Reuters. O plano estabelece uma estrutura em duas etapas: em um primeiro momento, um cessar-fogo imediato e a reabertura de Ormuz — rota por onde passa 20% do petróleo produzido no mundo; em seguida, seria aberto um prazo de 15 a 20 dias para a conclusão de um acordo final.
O arranjo, que provisoriamente foi chamado de “Acordo de Islamabad” e prevê negociações presenciais na capital paquistanesa, deveria ser formalizado por meio de um memorando de entendimento a ser assinado eletronicamente pelas partes e pelo Paquistão, de acordo com a fonte ouvida pela Reuters, que revelou haver pressão por uma definição rápida, apontando que “todos os elementos precisam ser acordados hoje”.
O desfecho é improvável, segundo as manifestações iniciais do Irã. Em uma coletiva de imprensa em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano Esmail Baghaei confirmou o diálogo com os EUA por meio de mediadores — além do Paquistão, países como Egito e Turquia participam de esforços diplomáticos —, mas afirmou que esboços repassados ao país incluiriam 15 pontos formulados pelos EUA, aos quais classificou como “ilógicos” e “excessivos”, e que o país nunca iria aceitar condições impostas pelos americanos, mesmo que sob pressão.
Fonte: O Globo





