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Especialista esclarece mitos e verdades sobre a saúde após os 60 anos

Reprodução

O envelhecimento da população brasileira está acelerando, e entender os mitos e verdades sobre a saúde na terceira idade se tornou essencial para quem busca mais qualidade de vida, autonomia e bem-estar.

De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgadas pela CNN Brasil, o Brasil vive uma transformação demográfica significativa: nas últimas duas décadas, a população com 60 anos ou mais mais que dobrou, passando de 15,2 milhões em 2000 para cerca de 33 milhões em 2023. No mesmo período, a idade média dos brasileiros subiu de 28,3 para 35,5 anos.

As projeções indicam que esse cenário deve se intensificar. Até 2070, aproximadamente 75,3 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais — o equivalente a quase 38% da população. Diante desse avanço, cresce também a necessidade de informação qualificada e de estratégias voltadas à promoção da saúde e do envelhecimento ativo.

Um dos principais desafios, no entanto, ainda é combater a ideia de que envelhecer significa adoecer. Segundo o geriatra José Carlos Sizino, esse é um dos equívocos mais comuns. “Envelhecer não significa adoecer. Muitas condições que surgem com maior frequência após os 60 anos podem ser prevenidas, controladas ou tratadas quando diagnosticadas precocemente”, explica.

Mas, afinal, o que é mito e o que é verdade quando falamos sobre saúde na terceira idade?

Ao longo deste conteúdo, você vai entender como fatores como sono, memória, alimentação, hábitos e convivência social impactam diretamente a longevidade — e descobrir o que realmente faz diferença para envelhecer com saúde.

A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre a saúde da pessoa idosa:

“A qualidade do sono influencia diretamente a saúde do idoso.”

Verdade.

Alterações no padrão de sono são comuns com o avanço da idade, mas não devem ser negligenciadas. Dormir bem é essencial para a regulação hormonal, a memória, o humor e o sistema imunológico. Distúrbios do sono, como insônia e apneia, devem ser investigados e tratados adequadamente.

“Perder a memória é algo normal da idade.”

Parcialmente mito.
Pequenos lapsos ocasionais podem ocorrer com o avanço da idade, mas perdas progressivas que interferem nas atividades diárias não são consideradas normais. Quadros como demência exigem avaliação médica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a demência afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo, sendo o principal fator de risco a idade avançada. A cada ano, surgem quase 10 milhões de novos casos, o que reforça a dimensão global do desafio e a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado.

“Quedas fazem parte do envelhecimento.”

Mito.
Embora o risco aumente com a idade, é possível evitar as quedas. Segundo o Ministério da Saúde, elas estão entre as principais causas de internação de pessoas idosas no Brasil.

Fatores como fraqueza muscular, uso inadequado de medicamentos e ambientes domésticos inseguros podem ser prevenidos com acompanhamento e adaptação.

 “A alimentação impacta diretamente a saúde na terceira idade.”

Verdade.
Uma dieta adequada, rica em nutrientes, contribui para a prevenção e o controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e dislipidemias. Além disso, auxilia na manutenção da massa muscular, da imunidade e da funcionalidade, fatores essenciais para a autonomia.

“Não vale a pena mudar hábitos depois dos 60.”

Mito.
Evidências científicas demonstram que mudanças no estilo de vida com alimentação equilibrada, controle da pressão arterial e da glicemia, cessação do tabagismo e prática de exercícios, reduzem riscos cardiovasculares e melhoram a funcionalidade mesmo em idades mais avançadas.

“A interação social é um fator de proteção para a saúde.”

Verdade.
Manter vínculos sociais ativos está associado à redução do risco de depressão, declínio cognitivo e até de mortalidade. A convivência familiar, atividades em grupo e participação comunitária contribuem para o bem-estar emocional e para a manutenção da autonomia.

Fonte: MedSênior