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É possível melhorar a memória do idoso sem medicamentos

Ábaco, antigo instrumento de cálculo, é aliado dos idosos para manter a memória saudável Foto: Reprodução

Boa notícia para os idosos: pesquisa recente mostra que é possível melhorar a memória e a qualidade de vida de pessoas nesta faixa etária sem o uso de medicamentos.

Novos recursos para manter autonomia, bom humor e qualidade de vida ao envelhecer estão começando a surgir, rompendo paradigmas. Recente estudo da USP comprovou a eficácia da estimulação cognitiva para melhorar funções do cérebro que costumam ser as mais comprometidas no processo de envelhecimento.

A pesquisa veio à tona por causa da Semana Mundial do Cérebro, celebrada neste mês, iniciativa da organização americana de incentivo à neurociência Dana Foundation.

Os resultados do estudo, realizado com 207 pessoas entre 65 e 80 anos, revelaram melhoras significativas em funções executivas, memória e alívio de sintomas de depressão, doença que acomete cerca de 15% da população idosa no Brasil, segundo dados do IBGE.

Estudos anteriores concluíram que o treinamento cognitivo multidomínio em pequenos grupos promoveu ganhos significativos na fluência verbal ao longo do tempo, habilidade importante para manter a inclusão dos idosos na sociedade.

Ao longo de 18 meses, os participantes da pesquisa fizeram atividades do método Supera de Estimulação Cognitiva, que inclui exercícios de raciocínio lógico com ábaco, jogos de tabuleiro e dinâmicas de grupos. O treinamento foi avaliado em ensaio clínico randomizado dentro da própria USP.

A gerontóloga e doutora em neurologia Thais Bento explica que os resultados são encorajadores, porque mostraram desempenho cognitivo geral mais alto para quem treinou, em relação aos grupos de controle. O importante é que o estudo foi feito sem o uso de medicamentos.

O número de idosos vem crescendo no Brasil e eles querem ser ativos, participativos e donos de suas histórias, contrariando os estereótipos criados pela sociedade.

Conduzido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina em colaboração com o Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Divisão de Neurologia Clínica do Hospital das Clínicas, todos vinculados à USP, o trabalho foi publicado recentemente pela reconhecida revista International Psychogeriatrics.

O método Supera não é novo, foi idealizado pelo engenheiro do ITA Antônio Carlos Guarini Perpétuo. A empresa educacional de estimulação cognitiva Supera tem sede em São José dos Campos (SP).

Criado há 20 anos, o método é utilizado em cerca de 250 centros de estimulação cognitiva no Brasil. Aproximadamente 80% dos alunos são idosos, em sua maioria pessoas curiosas, com desejo de aprender, trabalhar e se desenvolver. Elas buscam manter as funções cognitivas de forma saudável e preventiva, antes de apresentarem demências.

Fonte: Jornal Estado de Minas