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Alcolumbre libera quebra de sigilo de Lulinha, mas faz aceno ao Planalto

Davi Alcolumbre e o presidente Lula — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Ao manter a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela CPI do INSS, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) deu uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado, agradou a oposição e abriu brecha para o surgimento de uma crise com considerável potencial de estrago sobre a candidatura de Lula à reeleição em outubro. Ao mesmo tempo, prometeu ao governo que não vai permitir a prorrogação da CPI do INSS, que pelo prazo atual deve terminar em 28 de março.

“Ele quis fazer concessões para os dois lados”, diz um interlocutor de Alcolumbre. Segundo esse aliado, o movimento foi comunicado tanto a lideranças governistas no Congresso como a assessores do próprio presidente da República.

Os aliados de Lula teriam se conformado com a decisão, uma vez que Lulinha já teve o sigilo quebrado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso do INSS na Corte, ainda em janeiro, durante o recesso do tribunal, a pedido da Polícia Federal (PF).

Na semana passada, a CPI também quebrou o sigilo de Lulinha, em uma tumultuada sessão que teve o resultado da votação simbólica contestada por parlamentares da base governista.

O recurso do governo, porém, foi rejeitado com base em um parecer da Advocacia do Senado, segundo o qual a intervenção do presidente do Senado para anular votações dos colegiados deve ocorrer em “caráter excepcionalíssimo” e quando há “dúvida razoável quanto à lisura do processo de deliberação e resultado apurado”, o que não seria o caso. Ao chancelar o parecer, Alcolumbre extinguiu a reclamação dos governistas.

A equipe da coluna apurou que, apesar da contrariedade com a decisão do presidente do Senado, os aliados de Lula aceitaram resignados uma vez que o sigilo de Lulinha já havia sido quebrado e o risco de os detalhes se tornarem públicos já existe de qualquer maneira.

Mesada de R$ 300 mil

Lulinha é suspeito de receber mesada de R$ 300 mil reais do Careca do INSS, considerado o maior operador do esquema ilegal de descontos que drenou cerca de R$ 3,7 bilhões dos rendimentos dos aposentados brasileiros, segundo a estimativa do Dataprev. Durante as investigações, foram encontradas conversas do Careca com seus funcionários e com uma empresária filiada ao PT que é amiga próxima de Lulinha, Roberta Luchsinger.

Roberta também teve a quebra de sigilo aprovada pela CPI – e decidiu acionar o Supremo nesta terça-feira (3) para derrubar a medida. O caso está com o ministro Flávio Dino.

Num dos diálogos, Antunes fala com um de seus diretores sobre o pagamento a uma empresa de propriedade de Luchsinger, a RL Consultoria. Questionado sobre quem seria o beneficiário do repasse, Antunes respondeu que era “o filho do rapaz”, sem citar nomes.

Segundo a PF, a empresa de Luchsinger recebeu um total de cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. A investigação apontou que os contratos firmados entre o Careca do INSS e Roberta Luchsinger fugiam das atividades das empresas.

A PF diz que Roberta faria parte do “núcleo político” da organização criminosa. Em uma das trocas de mensagens, ela alerta sobre as apreensões e pede que ele se livre de aparelhos celulares. “E só para você saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”, escreveu ela.

Antunes reage com preocupação, e Luchsinger responde apenas que o Careca “suma” com os telefones. “Joga fora”, escreveu a empresária. Segundo a investigação, os dois formaram uma sociedade que tinha interesses em decisões da Anvisa e do Ministério da Saúde.

Fonte: O Globo