
Especialista explica como o isolamento social afeta o organismo e destaca que ambientes planejados para estimular a convivência ajudam a preservar a autonomia e a qualidade de vida
Celebrado em 26 de julho, o Dia dos Avós costuma ser marcado por encontros familiares e homenagens, mas a data também abre espaço para uma discussão que vem ganhando atenção na área da saúde. A solidão e o isolamento social entre as pessoas idosas estão associados a um maior risco de declínio cognitivo, depressão, doenças cardiovasculares e mortalidade precoce. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o problema como uma questão de saúde pública.
Esses efeitos vão muito além do aspecto emocional e podem ser observados no funcionamento do organismo. Para a médica intensivista e coordenadora do Programa de Longevidade da DOM Senior Living, Dra. Elizabeth Buss Lunardelli, a solidão altera marcadores biológicos, eleva os níveis de cortisol, favorece processos inflamatórios crônicos e compromete a resposta imunológica. “Hoje sabemos que o convívio social também é um fator de proteção à saúde e deve ser considerado parte do cuidado preventivo voltado à longevidade”, afirma.
O envelhecimento da população brasileira torna essa discussão cada vez mais necessária. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também a importância de criar condições para que as pessoas envelheçam com autonomia, relações sociais e qualidade de vida. “Muitos idosos passam a viver sozinhos após a saída dos filhos de casa, a perda do cônjuge ou a redução da mobilidade. Quando essa condição se prolonga, o isolamento pode acarretar impactos significativos na saúde física e cognitiva”, afirma a médica.
O ambiente em que a pessoa vive também exerce influência direta sobre esse processo. Estudos em arquitetura e saúde apontam que espaços planejados para estimular caminhadas, encontros espontâneos e atividades compartilhadas favorecem a convivência, fortalecem o senso de pertencimento e reduzem os indicadores de isolamento.
Essa compreensão também tem mudado a forma de pensar sobre os projetos voltados à longevidade. Para Renata Stringhini, fundadora da DOM Senior Living, a qualidade de vida na maturidade depende de um conjunto de fatores que vai além da assistência à saúde. “Durante muito tempo, o cuidado com a pessoa idosa esteve concentrado apenas na assistência à saúde. Hoje entendemos que preservar vínculos, estimular a convivência e oferecer oportunidades para que as pessoas permaneçam ativas também fazem parte desse cuidado. A longevidade precisa ser pensada de forma integrada”, afirma.
A mudança de cultura também passa pelas famílias. Embora o envelhecimento seja uma realidade cada vez mais presente, muitas decisões continuam sendo adiadas até que uma situação de urgência obrigue filhos e pais a lidar com o tema. Planejar a longevidade é conversar sobre o futuro enquanto ainda há autonomia para fazer escolhas. “Essa conversa envolve saúde, moradia, relações sociais e qualidade de vida. Quando acontece no tempo certo, ela traz mais tranquilidade para toda a família”, destaca Renata.
Alguns sinais merecem atenção antes que o isolamento se agrave. A redução da frequência de saídas de casa, a perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e a diminuição do apetite podem indicar que a vida social daquela pessoa está sendo comprometida. “Perguntar como está a rotina social de um avô ou de uma avó pode ser tão importante quanto perguntar sobre a pressão arterial ou a glicemia. O convívio social produz efeitos mensuráveis sobre a saúde e deve fazer parte da prevenção”, conclui a Dra. Elizabeth.
Fonte: RCN





