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Mitos e verdades sobre doenças que afetam idosos

O envelhecimento aumenta o risco de uma série de doenças, mas também é cercado por dúvidas e informações incorretas. Por isso, médicos convidados por A Tribuna esclarecem os mitos e verdades das principais doenças que afetam os idosos.

Nessa idade, a hipertensão surge como a doença mais comum, afetando mais de 60% da população, segundo o Ministério da Saúde. Além dos riscos próprios, a condição também pode aumentar a incidência de AVC, segundo o cardiologista Guilherme Pizetta.

“A pressão alta provoca alterações na parede das artérias, favorecendo o acúmulo de gordura e o endurecimento dos vasos. Com o tempo, essas placas podem se romper, formando coágulos que obstruem a circulação e provocam um AVC”.

O risco é ainda maior porque, ao contrário do que se imagina, a pressão alta é uma doença silenciosa e só provoca dores na nuca quando está em estágio avançado.

“Dor de cabeça ou tontura costumam aparecer apenas quando a pressão está muito elevada ou sobe rapidamente”, diz Guilherme.

O diabetes é uma outra condição muito comum após os 60 anos, principalmente o tipo 2. A endocrinologista Lusanere Cruz explica que um dos maiores mitos é que a doença é causada apenas pelo excesso de açúcar.

“O diabetes tem um importante componente genético, principalmente quando se associam fatores como sedentarismo, excesso de gordura abdominal, tabagismo, privação de sono e estresse”.

A catarata também desperta dúvidas. Segundo a oftalmologista Karina Moyses, presidente da Sociedade Capixaba de Oftalmologia, praticamente todas as pessoas terão algum grau da doença.

“Não necessariamente todas vão precisar de cirurgia, mas todas apresentam algum nível de opacidade do cristalino com a idade”.

O Alzheimer também está entre as doenças cercadas por desinformação. Um dos principais equívocos, segundo a neurologista Sonia Maria Brucki, membro da Academia Brasileira de Neurologia, é acreditar que todo esquecimento faz parte da doença.

“Pequenos esquecimentos podem ocorrer com o envelhecimento. O sinal de alerta é quando as falhas de memória passam a comprometer atividades do dia a dia e a autonomia”.

Independentemente da doença, os especialistas são unânimes: quanto mais cedo os sinais forem reconhecidos, maiores são as chances de controlar os sintomas, evitando complicações no idoso.

Clube de leitura

Regina Loureiro idealizou um clube de leitura para incentivar o hábito e fortalecer a convivência entre idosos |  Foto: Fábio Nunes/AT

Apaixonada por leitura desde cedo, Regina Loureiro, 81 anos, resolveu incentivar esse hábito em outras pessoas.

Ela, que hoje é coordenadora da Casa de Cultura Maria José Menezes, no centro de Vitória, idealizou um clube de leitura, comandado pela escritora Christine Ribeiro.

“Temos esse compromisso de cultivar essa paixão em mais pessoas, principalmente nos idosos”, destaca.

Regina conta que, além de estimular a memória e a concentração, o clube tem um papel importante no combate à solidão.

“Aqui a gente convive, troca experiências, visões de mundo, conversa e aprende muito”.

Diabetes
Só quem come muito açúcar desenvolve diabetes

|  Foto: Magnific


Mito — A doença também está relacionada à predisposição genética, excesso de peso, sedentarismo, estresse, tabagismo e outros fatores.

Diabetes pode passar anos sem provocar sintomas

Verdade — Especialmente no tipo 2, a doença pode evoluir silenciosamente. Quando aparecem, os sinais incluem sede excessiva, aumento da urina, perda de peso e infecções recorrentes.

Quem tem diabetes precisa cortar totalmente os carboidratos da alimentação

Alimentação saudável: prevenção |  Foto: Magnific

Mito — O recomendado é priorizar carboidratos integrais e naturais e reduzir o consumo de açúcares simples, sempre com orientação profissional.

Controlar o diabetes ajuda a prevenir complicações graves

Verdade — O tratamento reduz o risco de infarto, AVC, perda da visão, doença renal e amputações, além de melhorar a qualidade de vida.

Osteoporose

|  Foto: Magnific

A osteoporose provoca dores constantes nos ossos e na coluna.

Mito — A doença costuma ser silenciosa. Em muitos casos, só é descoberta após uma fratura ou durante exames de rotina.

Exercícios físicos ajudam a prevenir a osteoporose

Verdade — Atividades de força, como musculação, estimulam a formação óssea e ajudam a reduzir a perda de massa óssea.

Tomar bastante leite é suficiente para evitar a osteoporose

Mito — Além do cálcio, a saúde dos ossos depende de vitamina D, atividade física e, em muitos casos, tratamento medicamentoso.

Osteoporose afeta apenas mulheres

Mito — Embora seja mais comum após a menopausa, homens também podem desenvolver a doença, principalmente após os 70 anos.

Sarcopenia

|  Foto: Magnific

Mito — A perda de massa muscular pode começar, de forma sutil, entre 30 e 40 anos, e de forma mais acentuada a partir dos 50.

Apenas quem é muito idoso desenvolve sarcopenia.

Musculação ajuda a prevenir a sarcopenia.

Verdade — Exercícios de força são uma das principais formas de preservar músculos, equilíbrio e autonomia na terceira idade.

Quem tem sarcopenia deve evitar exercícios para não se machucar.

Mito — Com orientação profissional, a atividade física faz parte do tratamento e ajuda a recuperar força e funcionalidade.

Alimentação rica em proteínas ajuda a preservar a massa muscular.

Verdade — O consumo adequado de proteínas, aliado à prática de exercícios, é essencial para prevenir e tratar a sarcopenia.

Alzheimer

|  Foto: Magnific

Esquecimentos de vez em quando indicam Alzheimer

Mito — Pequenos esquecimentos podem fazer parte do envelhecimento normal. O sinal de alerta é quando as falhas de memória passam a comprometer atividades do dia a dia e a autonomia.

O idoso com Alzheimer precisa ficar isolado para se proteger

Mito — Incentivar o paciente a fazer atividades que fazia antes, sempre com supervisão, ajuda a estimular o cérebro, retardando o avanço da doença.

Usar músicas, fotos e boas lembranças ajudam a estimular o cérebro da pessoa com Alzheimer

Verdade — Músicas, fotografias e boas recordações afetivas podem ativar conexões emocionais e cognitivas preservadas, contribuindo para reduzir a ansiedade, estimular a memória e favorecer a interação com familiares e cuidadores.

Pessoas com Alzheimer costumam perder primeiro as memórias mais recentes

Verdade — No início da doença, é comum que lembranças antigas permaneçam preservadas porque estão mais fixas na memória enquanto os fatos recentes são esquecidos com mais facilidade.

Como o Alzheimer pode ter influência genética, não há nada que possa ser feito para reduzir o risco.

Mito — Embora a genética tenha influência, hábitos saudáveis e o controle de fatores como hipertensão, diabetes e sedentarismo podem contribuir para a saúde do cérebro e retardar o aparecimento da doença.

Catarata

|  Foto: Magnific

É preciso esperar a catarata “amadurecer” para fazer a cirurgia

Mito — Com as técnicas atuais, a cirurgia pode ser indicada assim que a catarata começa a comprometer a visão e a qualidade de vida.

Colírios e remédios podem curar a catarata

Mito — O único tratamento capaz de corrigir a catarata é a cirurgia, que substitui o cristalino opaco por uma lente artificial.

Toda pessoa idosa terá algum grau de catarata

Verdade — Com o envelhecimento, é comum o cristalino perder a transparência, o que caracteriza a catarata. Nem todos, porém, precisarão de cirurgia.

A cirurgia de catarata também pode corrigir o grau dos óculos

Verdade —Dependendo da lente implantada, o procedimento pode corrigir miopia, hipermetropia, astigmatismo e até a vista cansada.

Hipertensão

|  Foto: Magnific

Pressão alta sempre causa dor de cabeça e tonturas

Mito — Na maioria dos casos, a hipertensão é silenciosa. Dor de cabeça e tontura costumam aparecer quando a pressão está muito elevada ou sobe rapidamente.

É normal a pressão aumentar com a idade

Mito — Embora o envelhecimento favoreça a hipertensão, pressão alta não deve ser considerada normal e precisa de acompanhamento.

Quem está com a pressão controlada pode parar de tomar os remédios

Mito — A pressão costuma estar controlada justamente porque o tratamento está funcionando. A medicação só deve ser suspensa com orientação médica.

Controlar a pressão reduz o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca

Verdade — A hipertensão é um dos principais fatores de risco para essas doenças. Mantê-la controlada ajuda a prevenir complicações cardiovasculares.

Insuficiência cardíaca

|  Foto: Magnific

Insuficiência cardíaca significa que o coração parou de funcionar

Mito — A doença acontece quando o coração perde parte da capacidade de bombear sangue adequadamente para o corpo.

Cansaço e falta de ar podem ser sinais de insuficiência cardíaca

Verdade — Os sintomas costumam aparecer primeiro durante esforços e, nos casos mais avançados, podem ocorrer até em repouso ou ao deitar.

Inchaço nas pernas pode indicar um problema no coração

Verdade — A retenção de líquidos é frequente na insuficiência cardíaca e merece avaliação médica, especialmente quando acompanhada de falta de ar.

Quem tem insuficiência cardíaca deve evitar qualquer atividade física

Mito — Com orientação médica, a atividade física faz parte do tratamento e ajuda a melhorar a qualidade de vida.

Hipertensão aumenta o risco de insuficiência cardíaca

Verdade — A pressão alta faz o coração trabalhar mais ao longo dos anos e é o principal fator de risco para a insuficiência cardíaca.

AVC

|  Foto: Magnific

O AVC acontece apenas em pessoas muito idosas

Mito — Embora o risco aumente com a idade, o AVC também pode ocorrer em adultos mais jovens, principalmente na presença de fatores de risco como hipertensão, diabetes e tabagismo.

Fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar e desvio da boca podem indicar um AVC

|  Foto: Magnific
Verdade — Esses são alguns dos principais sinais da doença e exigem atendimento médico imediato.

Se os sintomas melhorarem rapidamente, não é preciso procurar um hospital

Mito — Mesmo que os sintomas desapareçam em poucos minutos, é importante procurar atendimento médico imediatamente, pois eles podem indicar um episódio que antecede um AVC.

Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de recuperação

Verdade — O tratamento nas primeiras horas pode reduzir sequelas e aumentar as chances de recuperação

Controlar a pressão arterial ajuda a prevenir o AVC

Verdade — A hipertensão é o principal fator de risco para a doença. Controlar a pressão reduz significativamente as chances de um AVC.

Artrose

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Sentir dor nas articulações faz parte do envelhecimento

Mito — Embora a artrose seja mais comum com a idade, dor persistente não deve ser considerada normal e merece avaliação médica.

Quem tem artrose deve evitar exercícios físicos

Mito — Atividades orientadas ajudam a fortalecer a musculatura, aliviar a dor e preservar a função das articulações.

A artrose pode causar dor, rigidez e dificuldade para realizar tarefas do dia a dia

Verdade — Esses são os sintomas mais frequentes da doença, principalmente em joelhos, quadris, mãos e coluna.

Perder peso pode ajudar a aliviar os sintomas da artrose

Verdade — A redução do peso diminui a sobrecarga sobre as articulações, especialmente joelhos e quadris.

Depressão

|  Foto: Magnific

Tristeza e isolamento fazem parte do envelhecimento

Mito — O envelhecimento saudável não é sinônimo de sofrimento emocional. Desânimo persistente, isolamento e perda de interesse pelas atividades podem indicar depressão.

A depressão em idosos nem sempre aparece como tristeza

Verdade — A doença pode se manifestar por apatia, alterações no sono e no apetite, dores sem causa aparente e até queixas de memória e concentração.

Perder o interesse pelas atividades de que gostava pode ser um sinal de depressão

Verdade — A falta de prazer em atividades antes apreciadas e a perda da autonomia são sinais que merecem atenção.

Esquecimentos podem estar relacionados à depressão

Verdade — A doença pode provocar dificuldade de concentração e falhas de memória, sendo frequentemente confundida com o envelhecimento ou até com demências.


Fonte: tribunaonline.com.br