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Temor de impacto na campanha de Lula pressiona Jaques Wagner a deixar liderança do governo no Senado

O senador Jaques Wagner — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/03/06/2024

O temor de impacto na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem pressionando o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), a deixar o cargo após a Polícia Federal expor suas relações com o caso do Banco Master. O tema foi discutido em uma reunião do núcleo de campanha nesta segunda-feira, e os integrantes manifestaram preocupação com efeitos negativos da operação da imagem de Lula, no momento em que presidente abriu pequena vantagem em relação a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto.

A avaliação feita foi de que o PT deve manter apoio irrestrito às investigações da fraude bancária do banco de Daniel Vorcaro “alcance quem alcançar” e que as apurações devem continuar sem intervenção política. A decisão de permanência ou não de Jaques Wagner no cargo de confiança deve ser tomada em uma reunião entre ele e o presidente prevista para ocorrer nesta quarta-feira.

A discussão aumenta a pressão pela saída de Wagner da liderança do Senado, movimento que encontra apoio no Palácio do Planalto e na cúpula petista. O parlamentar resiste em deixar o posto. Procurado, Wagner não se manifestou.

De acordo com um integrante da pré-campanha que esteve na reunião, há um compasso de espera entre os políticos para ver qual será o comando dado por Lula para lidar com esse caso e como eventualmente será tratada a saída ou não de Wagner. Esse interlocutor diz ainda que a coordenação tem em mãos um levantamento que mostrou que a operação da semana passada não foi o tema que mais mobilizou as pessoas, mas sim a Copa do Mundo e o jogo da seleção brasileira.

Além disso, minimiza o fato de o grupo ter tratado desse assunto, já que eles costumam fazer um panorama político dos eventos. A coordenação da pré-campanha costuma se reunir às segundas-feiras.

Outro integrante afirma que a linha que o PT e o grupo deverão adotar já foi passada pelo presidente da sigla e coordenador-geral do comitê de reeleição, Edinho Silva. Na semana passada, após a operação da PF, Edinho afirmou em nota que o parlamentar tem toda a confiança do partido e que a sigla apoia “todas as apurações” envolvendo o caso Master.

“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, disse Edinho na nota divulgada na semana passada.

Segundo um petista que acompanha as conversas, há uma discussão sobre o timing dessa eventual saída de Wagner do cargo. Isso porque ela está sendo discutida às vésperas das comemorações da Independência da Bahia, no dia 2 de Julho. Esse petista defende que, se ele for deixar o governo, que isso ocorra agora, para não contaminar a data —o presidente Lula deve viajar a Salvador na data e participar de atividades consideradas positivas para o governo. Por outro lado, um grupo defende que Wagner fique no cargo até a data em questão para colher saldo eleitoral das atividades.

Fonte: O Globo