
O crescimento acelerado do eleitorado idoso dispara um alerta nos partidos e coloca a terceira idade no centro da disputa pelo poder em 2026. O contingente com mais de 60 anos expandiu 74% nos últimos 16 anos, deixando para trás a média geral dos votantes, que evoluiu apenas 15%. Com o peso de 23,2% de toda a votação, esse bloco passa a ser o fator decisivo para definir a liderança nas urnas.
A caça ao voto facultativo e o poder de desempate
A grande dor de cabeça dos marqueteiros políticos está concentrada nos cidadãos que cruzam a barreira dos 70 anos, quando o voto passa a ser facultativo no Brasil. Como esse público não tem obrigação legal de pisar na seção eleitoral e nem precisa justificar ausência, levá-los às urnas virou uma questão de pura capacidade de convencimento das campanhas.
Em disputas locais acirradas e eleições historicamente decididas na margem de poucos votos, o comparecimento espontâneo dos idosos funciona como o verdadeiro juiz do pleito. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, destaca que, sem a obrigação cívica, o comparecimento desse grupo virou um termômetro de identificação real com as propostas dos candidatos.
Esse público, assim como os jovens entre 16 e 18 anos, são os brasileiros a serem ‘conquistados’ pelos candidatos. Eles não têm obrigação do voto, então só vão às urnas se tiverem um bom motivo para isso.E, no contexto de um cenário político acirrado, essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição. Marcelo TokarskiCEO da Nexus
Cobrança por propostas e estrutura logística
Para ganhar esse eleitor, os partidos terão que abandonar promessas genéricas e apresentar propostas reais de saúde, policlínicas e mobilidade. Plataformas que ignorarem o envelhecimento da população vão perder competitividade logo na largada da campanha, já que o público maduro exige compromissos claros com a qualidade de vida.
Para evitar o fantasma da abstenção e garantir o comparecimento desse contingente, a Justiça Eleitoral montou uma força-tarefa logística para o dia da votação. O plano inclui a transferência de eleitores para seções prioritárias e totalmente acessíveis. Além disso, a lei assegura que qualquer idoso com mobilidade reduzida entre na cabine acompanhado por alguém de sua estrita confiança, blindando o direito ao voto.
Fonte: Correio24horas





