Todos têm dentro de si o idoso de amanhã. Quem não é filho de um aposentado? E quem não será aposentado um dia?
O Brasil está perdendo suas referências.
A velha guarda está indo embora.
E a pergunta que ecoa, sem resposta, é:
Onde está a renovação?
Estamos ficando sem líderes, sem ídolos, sem exemplos. Homens e mulheres que representaram o Brasil com honra, dignidade e compromisso; que levaram ao povo orgulho, emoção e alegria.
E hoje?
O que estamos formando?
O Brasil se despede de gigantes. Nomes que não foram apenas famosos: foram referências.
Pelé. Ayrton Senna. Oscar Schmidt. Tancredo Neves.
A Nação Tricolor se despede de um de seus grandes nomes. Douglas Franklin, ídolo e segundo maior artilheiro da história do Esporte Clube Bahia, morreu neste dia (9/08/26).
Homens que cumpriram suas missões e deixaram suas marcas na história.
E, nesta semana, a cultura brasileira sofreu uma perda dolorosa com a partida de duas grandes pérolas da dramaturgia nacional: Laura Cardoso e Glória Menezes. Laura Cardoso faleceu aos 98 anos, em 17 de agosto, e Glória Menezes, aos 91 anos, em 18 de agosto de 2026.
Duas mulheres que atravessaram gerações, levando talento, emoção e profissionalismo ao teatro, ao cinema e à televisão. Suas trajetórias representam uma parte importante da história cultural do Brasil.
A velha guarda está indo embora. E com ela desaparecem referências que dificilmente serão substituídas.
Mas essa realidade também precisa nos fazer refletir sobre o respeito e a valorização das pessoas idosas.
Em 2 de setembro de 2019, alertei o governo sobre a falta de políticas públicas para os idosos e suas consequências, em artigo publicado no Notícia Livre.
Mais uma eleição se aproxima sem que sejam apresentadas, de forma clara, propostas consistentes de políticas públicas voltadas às pessoas idosas.
Esses cidadãos e cidadãs, muitos deles aposentados, cumpriram seus deveres profissionais e prestaram relevantes serviços ao país, com honradez, comprometimento e dignidade.
Agora, esperam direitos, reconhecimento, valorização e respeito, assegurados pela Constituição Federal, especialmente pelo artigo 230.
Na qualidade de presidente do MAPI – Movimento dos Aposentados, lutei e continuo defendendo a criação de um hospital específico para o atendimento da pessoa idosa, conforme expedientes protocolados junto à Presidência da República, ao Governo do Estado e à Prefeitura de Salvador.
Até hoje, entretanto, essa reivindicação não foi atendida de forma adequada.
Fica a pergunta:
Quando teremos uma política de saúde verdadeiramente estruturada e específica para a população idosa?
O envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil. O aumento da longevidade é resultado de conquistas sociais, especialmente na área da saúde. Esse processo demográfico, entretanto, traz novas demandas por benefícios, serviços e atenção pública, constituindo um grande desafio para os governantes e para toda a sociedade.
É crescente a preocupação das entidades representativas da categoria com a efetiva implantação de políticas públicas voltadas não apenas para aqueles que já são idosos, mas também para as gerações que envelhecerão.
É inevitável uma mudança de paradigma no papel do Estado e no modelo de gestão das políticas sociais.
É preciso buscar formas alternativas de atendimento à pessoa idosa, permitindo que ela permaneça, sempre que possível, junto à família e à comunidade, em parceria com entidades e organizações públicas e privadas.
O governo é responsável pela coordenação da Política Nacional do Idoso, instituída pela Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994. É necessário, porém, transformar a legislação em ações efetivas, com políticas públicas capazes de assegurar direitos sociais, entre eles: atendimento de saúde especializado; apoio ao trabalhador que precisa acompanhar o idoso em consultas e tratamentos; ampliação de centros de convivência; atendimento adequado às pessoas que necessitam de acolhimento; e estruturas governamentais de atenção à pessoa idosa.
Essas ações devem garantir autonomia, integração, participação social, bem-estar e dignidade à pessoa idosa.
O governo precisa compreender que o idoso não é responsável pelos desmandos praticados contra o Brasil. Ao contrário: grande parte do desenvolvimento que alcançamos foi construída pelo trabalho de gerações que hoje envelheceram.
Por isso, o idoso deve ser reconhecido e valorizado como parte importante da história do Brasil.
O envelhecimento populacional é uma realidade. Alguns países enfrentam essa questão há décadas. O Brasil, porém, ainda precisa avançar muito na preparação do Estado e da sociedade para essa nova realidade demográfica.
Apesar de ações isoladas e de algumas tentativas de estabelecer políticas de apoio aos idosos, a questão ainda não ocupa o espaço que deveria na agenda de muitos governantes e parlamentares.
A Previdência Social é outro exemplo. Além de projetarmos o futuro diante do rápido envelhecimento da população, precisamos corrigir distorções acumuladas ao longo dos anos.
As sucessivas reformas previdenciárias, mudanças nas regras e perdas no poder de compra atingiram diretamente milhões de aposentados.
Muitos idosos enfrentam dificuldades para manter planos de saúde, medicamentos, alimentação e outras necessidades básicas.
Quem trabalhou durante décadas pelo Brasil não pode chegar à velhice sentindo-se abandonado pelo próprio país.
A Previdência Social não pertence à partido político nem a determinado governo. É patrimônio da sociedade brasileira e deve ser administrada com responsabilidade, transparência e eficiência.
A sociedade precisa compreender que muito do que usufruímos hoje foi construído pelas gerações anteriores.
Por isso, os cabelos brancos representam também a voz da experiência.
Essa voz pede respeito aos seus direitos, depois de uma vida inteira de deveres cumpridos.
O Brasil vive desafios que atingem todas as faixas etárias. A crise que afeta os idosos também alcança os jovens, que precisam encontrar oportunidades para construir seu futuro.
A aposentadoria, para muitos, não representa um período de descanso e tranquilidade. Pode significar dificuldades financeiras, perda de espaço social e falta de oportunidades para continuar participando ativamente da sociedade.
O Brasil ainda não valoriza suficientemente a experiência profissional dos aposentados.
Experiência não deveria ser descartada pela idade.
Por isso, os idosos também precisam se organizar e participar das entidades de representação, buscando melhores condições de vida e cobrando do poder público o cumprimento de seus direitos.
A velhice marginalizada não pode continuar escondida em abrigos, instituições ou casas de acolhimento.
A pessoa idosa precisa ter oportunidade de conviver, participar, contribuir e exercer plenamente sua cidadania.
A questão social dos idosos não pode continuar sendo tratada como secundária, nem como objeto de políticas tímidas e soluções menores.
O idoso não pode ser condenado simplesmente a envelhecer.
Ao contrário, deve ser estimulado a viver de acordo com suas expectativas, potencialidades e limitações.
A existência plena não é propriedade dos jovens. É um direito de todos os que estão vivos.
Os idosos têm algumas décadas a mais de cidadania do que os jovens. Isso não lhes confere privilégios, mas lhes garante experiência e o direito de lutar por uma melhor qualidade de vida.
A questão da velhice não é uma questão apenas dos velhos.
É uma questão de todos os brasileiros, porque todos temos dentro de nós o idoso de amanhã.
Nas eleições, os aposentados e todos os cidadãos devem analisar atentamente as propostas dos candidatos e verificar quais apresentam políticas públicas concretas para a população idosa, especialmente nas áreas de saúde, previdência, assistência social, convivência e valorização profissional.
Pesquise a história, as propostas e o compromisso dos candidatos antes de votar. O voto consciente é um instrumento de transformação da sociedade.
Hoje, diante da partida de Laura Cardoso e Glória Menezes, fica também uma reflexão:
Quando uma geração de referências parte, quem ocupará o seu lugar?
Mais do que lamentar a perda de grandes nomes, precisamos aprender com seus exemplos de vida, dedicação, talento e profissionalismo.
Que o Brasil saiba respeitar seus idosos enquanto estão entre nós — e não apenas homenageá-los depois que partirem.
Sem educação de qualidade não há solução para um Brasil melhor.
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Seja a mudança!

Ex-Diretor Regional de Pessoal do INAMPS/BA
Ex-Presidente do Movimento dos Aposentados e Vice-Presidente Nacional do MAPI – www.aldericosena.com – Instagram @aldericosena





