
Muito se fala hoje sobre a importância da vacinação, um tema de suma importância para os idosos. Isso porque, com o envelhecimento, o nosso sistema imunológico passa por um processo conhecido como imunossenescência, que nada mais é do que a produção de menos células de defesa, surgindo como consequência uma resposta menos eficiente às infecções e às próprias vacinas. “Isso acaba tornando a população idosa muito mais vulnerável a doenças graves, hospitalizações e até à morte”, explica o médico Egídio Dorea, especialista em longevidade e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. “A vacinação é essencial justamente porque treina o nosso sistema imune, ajudando a compensar essa perda natural e reduzindo de forma muito significativa o impacto das infecções.” Como se não bastasse, os benefícios das vacinas vão muito além de somente evitar as doenças infecciosas.
“Além de prevenir a infecção inicial, as vacinas reduzem drasticamente as formas graves das doenças. No caso da covid-19, por exemplo, sabemos que a vacinação evitou dezenas de milhares de mortes e centenas de milhares de internações entre idosos no Brasil. E há benefícios ainda mais surpreendentes: estudos mostram que vacinas como as da influenza, do herpes-zóster e a pneumocócica estão associadas a um menor risco de eventos cardioavasculares, como infartos e AVCs, e até mesmo a uma redução no risco de demências, incluindo o Alzheimer. Isso acontece porque a vacina ajuda a diminuir a inflamação sistêmica do corpo e previne infecções que acelerariam o declínio cognitivo e vascular.”
Vacinas obrigatórias no calendário
Apesar de todos esses benefícios, no entanto, as pessoas não têm comparecido como deveriam aos postos de saúde – ao contrário, temos acompanhado uma queda nas taxas de vacinação após a pandemia, o que traz riscos para o envelhecimento saudável. “A queda na adesão é preocupante, porque significa maior risco de perda de autonomia e maior sobrecarga no sistema de saúde”, alerta Dorea. E existem vacinas que simplesmente não podem faltar no calendário do idoso: “No calendário brasileiro, a partir dos anos 60, destacam-se a vacina anual contra a influenza, atualizações para covid-19, hepatite B, reforço de difteria e tétano a cada dez anos e a pneumocócica”, diz o médico, que chama atenção ainda para a crença, muito difundida, de que a vacina da gripe contribui para causar a doença. “Sobre o mito da gripe, é fundamental esclarecer que a vacina usada no Brasil é inativada, ou seja, feita com fragmentos ou vírus mortos. Ela não tem como causar a doença – o que pode ocorrer são apenas reações leves e passageiros, como dor no local da injeção”.
Portanto, vacinação combina com envelhecimento saudável, além de se constituir em um ato de cuidado consigo mesmo e com a sociedade de modo geral. Manter a caderneta de vacinação atualizada é uma das formas mais eficazes e seguras de proteger a saúde, manter a autonomia e garantir uma boa qualidade de vida.
Fonte: Jornal Da USP





