
No dia a dia, convivendo com meus alunos e acompanhando de perto suas histórias, percebo que envelhecer vai muito além de completar anos. Cada pessoa traz suas experiências, seus desafios, suas conquistas, seus planos e até suas decepções. Essa convivência me faz refletir sobre uma questão que diz respeito a todos nós: estamos nos preparando para viver mais? Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial já ultrapassou 8 bilhões de habitantes, e o aumento da longevidade, combinado à redução da fecundidade, transforma a estrutura das sociedades em diferentes partes do planeta.
No Brasil, essa transformação também é evidente. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha aproximadamente 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, cerca de 15,8% da população. Em 2010, eram 10,8%. Esses números mostram que o envelhecimento não é uma realidade distante: ele já faz parte do nosso cotidiano e exige atenção das famílias, dos profissionais de saúde, das empresas, das organizações sociais e do poder público.
Mas viver mais significa necessariamente viver melhor? Recentemente, assisti ao documentário Como Viver até os 100: Os Segredos das Zonas Azuis, da Netflix, que apresenta comunidades conhecidas pela longevidade de seus habitantes, como Okinawa, no Japão; a Sardenha, na Itália; Icária, na Grécia; Nicoya, na Costa Rica; e Loma Linda, nos Estados Unidos. As histórias nos convidam a observar a alimentação, o movimento no cotidiano, as relações sociais e o propósito de vida. São referências inspiradoras, mas é importante lembrar que cada povo tem sua cultura, seus hábitos e suas condições de vida.
Não podemos simplesmente importar o estilo de vida de outras populações e esperar os mesmos resultados no Brasil. Somos um país continental, com realidades culturais, sociais e econômicas muito diferentes. Por isso, acredito que precisamos aprender com outras experiências, mas adaptar o conhecimento à nossa realidade, especialmente à comunidade em que vivemos. Na região de Barueri – SP, onde desenvolvo parte do meu trabalho, essa reflexão começa com aquilo que podemos incorporar ao cotidiano e transformar em hábitos sustentáveis.
No Professor Rafa na Escuta (meu programa de envelhecimento), trabalho com três pilares fundamentais para promover um envelhecimento mais saudável: alimentação, sono e exercício físico planejado. Não se trata de buscar fórmulas mágicas, dietas milagrosas ou resultados imediatos, mas de construir hábitos possíveis, consistentes e adequados a cada pessoa. A partir dessa base, podemos ampliar o cuidado para outras dimensões, como a organização financeira, os vínculos sociais, a espiritualidade e a construção de um propósito que dê sentido à vida.
Envelhecer bem também significa preservar, pelo maior tempo possível, a autonomia para fazer escolhas e a independência para realizar as atividades do dia a dia. Para isso, não basta falar de saúde: precisamos pensar em acessibilidade em todos os ambientes, das calçadas, dos transportes e das moradias aos espaços digitais, aplicativos e serviços on-line. Afinal, de que adianta um serviço existir se uma pessoa não consegue acessá-lo? A promoção da longevidade depende tanto de hábitos individuais quanto de oportunidades, inclusão, políticas públicas e ambientes que respeitem as necessidades de quem envelhece.
É com esse olhar, unindo conhecimento e experiências da convivência diária com meus alunos, que começo esta nova etapa como colunista do Observatório do Terceiro Setor. E quero começar ouvindo você: qual nome melhor representa este espaço de reflexão sobre longevidade, saúde e sociedade? Qual opção te agrada mais: Movimento e Longevidade, O Tempo em Movimento ou Longevidade em Pauta. Participe da votação e ajude a escolher o nome da coluna. Afinal, envelhecer faz parte da vida de todos nós, e pensar em como envelhecer melhor é uma conversa que precisamos começar hoje.
Por Rafael Ferreira Alves – bacharel em Educação Física pela Universidade Paulista (UNIP), pós-graduado em Saúde do Idoso pela PUC e coautor do livro Envelhescência Ativa e Feliz, publicado pela Literare Books.





