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Idosos: por um envelhecimento digno, ativo e seguro

O envelhecimento populacional é uma das transformações mais profundas e aceleradas da conjuntura contemporânea. No Brasil e Espírito Santo, a transição demográfica redesenha a estrutura social e impõe uma reflexão urgente nesta semana do 15 de junho, Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Mais do que celebrar o aumento da longevidade, o momento exige maturidade institucional para encarar uma realidade incômoda, a saber, a persistente vulnerabilidade daqueles que muito já contribuíram para o desenvolvimento do país.

Os indicadores de segurança pública e direitos humanos revelam um cenário alarmante. O Brasil registra anualmente mais de 170 mil denúncias de violência especificamente contra idosos por meio do Disque 100. 

O perfil detalhado dessas notificações expõe uma trágica ironia: cerca de 80% dos abusos ocorrem no próprio ambiente doméstico da vítima. Sete em cada dez vítimas são mulheres, e os principais agressores são familiares diretos. Entre as violações mais recorrentes, destacam-se a negligência e abandono, a violência psicológica, os maus-tratos físicos e a crescente violência patrimonial, caracterizada por golpes, fraudes e pela apropriação indébita de rendimentos e benefícios previdenciários.

Diante desse desafio estrutural, o combate à violência exige pragmatismo, sobriedade política e ações transversais robustas. Estratégias eficientes passam necessariamente pelo fortalecimento das redes municipais de proteção social, pela capacitação contínua de agentes de segurança e saúde para a escuta qualificada, e pela ampla divulgação dos canais de denúncia.

Paralelamente, o planejamento urbano deve conceber cidades inteligentes e acessíveis, focadas em inteligência territorial que promova a inclusão social, estimule o convívio comunitário e reduza de forma drástica o isolamento desse público.

Garantir um envelhecimento digno, ativo e seguro não é uma concessão ou privilégio, mas sim um imperativo do pacto federativo, da segurança e do desenvolvimento socioeconômico de longo prazo. 

É urgente consolidar políticas públicas integradas que blindem nossos idosos, transformando o respeito institucional e a dignidade humana em pilares cotidianos de qualidade de vida em cada município capixaba.

Pablo Lira – Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV).