O envelhecimento é um fenômeno universal, mas sua vivência é profundamente marcada pelas condições sociais e culturais de cada sociedade. Em contextos onde a juventude é supervalorizada, os idosos frequentemente enfrentam processos de ‘invisibilização’ e exclusão, que se manifestam em diferentes esferas da vida cotidiana. O etarismo, ou ‘idadismo’, constitui uma forma de preconceito que associa a velhice à perda de valor social, fragilidade e improdutividade, reforçando estereótipos que limitam a participação plena das pessoas idosas.
A exclusão social e ‘invisibilização’ – A exclusão social dos idosos pode ser observada em práticas aparentemente sutis, como a ausência de representatividade em campanhas publicitárias, programas televisivos ou espaços de decisão comunitária. Essa ‘invisibilização’ reforça a ideia de que a velhice é uma etapa marginal, sem relevância para o desenvolvimento coletivo. Estudos apontam que a falta de visibilidade contribui para a internalização de estigmas, afetando a autoestima e a percepção de pertencimento (Debert, 1999).
Com efeito, há de ter também, as relações intergeracionais, que poderemos classificar como sendo as relações entre gerações que são atravessadas por tensões e conflitos de valores. E, nas sociedades altamente competitivas, a produtividade é vista como critério de reconhecimento, o que coloca os idosos em posição de desvantagem. Além de tudo, as experiências intergeracionais bem-sucedidas demonstram que a convivência entre jovens e idosos pode enriquecer ambos os grupos, promovendo solidariedade e transmissão de saberes (Beauvoir, 1970).
Impactos na autonomia e participação comunitária – O etarismo compromete diretamente a autonomia dos idosos, restringindo sua participação em atividades sociais e comunitárias. A ideia de que a velhice é sinônimo de dependência, leva à criação de barreiras simbólicas e práticas, como a desconsideração da opinião dos idosos em processos decisórios. A autonomia, entretanto, é um direito fundamental, reconhecido em documentos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e reafirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002).
As práticas sociais inclusivas têm sido um importante instrumento de transformação na inclusão da pessoa idosa. Apesar dos desafios, existem iniciativas que buscam promover a inclusão social dos idosos. E também, programas de envelhecimento ativo, projetos culturais intergeracionais e políticas públicas voltadas à participação comunitária são exemplos de estratégias que rompem com estereótipos e valorizam a experiência da velhice. Essas práticas demonstram que o envelhecimento pode ser vivido de forma plena, desde que a sociedade reconheça os idosos como sujeitos de direitos e protagonistas de sua própria história.
Com efeito, é diferente do que presenciamos na sociedade que vivemos em que idosos são excluídos e segregados a políticas de assistencialismos, não sendo clara e transformadora para o tratamento daqueles que antes deram a vida para produzir na sociedade capitalista; e de apoio e auxílio cotidianamente da parte do poder público.
É porque o trabalho do geriatra tem sido além do tratamento de doenças: é um cuidado integral, preventivo e individualizado, que considera saúde física, mental, social e funcional, com foco na autonomia, dignidade e qualidade de vida do idoso. O que nas políticas públicas a maioria tem sido de assistencialismo, que é a prática de oferecer cuidados apenas para manter a sobrevivência ou, então, evitar crises, não tendo que promover autonomia, dignidade e qualidade de vida, reduzindo o idoso a um objeto de dependência.






