Pular para o conteúdo

A forma como tratamos as pessoas

O modo como tratamos quem está ao nosso redor é o reflexo mais fiel daquilo que somos por dentro e da profundidade da nossa comunhão com Deus. Duas forças se erguem diante de nós: a GRATIDÃO, que é vida, luz e ação; e a INDIFERENÇA, que é morte, trevas e paralisia moral.

O Veneno Mortal da Indiferença – A indiferença não é apenas um defeito do caráter; é um câncer da alma. Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto, declarou: “O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.” Quando nos tornamos indiferentes, nosso coração deixa de bater pelo outro e passa a pulsar apenas por si mesmo e nos tornamos cúmplices silenciosos da injustiça.

Ser indiferente é declarar, em silêncio: “Você não existe para mim”. É apagar rostos, calar vozes,ignorar lágrimas e fechar os ouvidos para clamores que imploram por compaixão.

É um egoísmo refinado, polido, mas letal, que nega a dignidade humana e nos afasta do próprio Deus.

A Escritura é implacável neste ponto: “O que tapa o ouvido ao clamor do pobre, também clamará e não será ouvido” (Provérbios 21:13) “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado” (Tiago 4:17). E mais: “Não deixes de fazer o bem a quem o merece, estando na tua mão o poder de fazê-lo”

(Provérbios 3:27). A omissão é tão condenável quanto o ato injusto. Como advertiu Sêneca: “Nenhuma culpa é mais grave do que a de usar o poder contra a justiça.

A indiferença é, portanto, um abismo espiritual, ela nos conduz a um deserto sem amor, sem calor e sem Deus.

A Beleza Redentora da Gratidão – Em contrapartida, a gratidão é como um rio que irriga a alma, devolvendo-lhe a vida. Cícero chamou-a de “a mãe de todas as virtudes”. Um coração grato não se contenta apenas em sentir; ele age, retribui, semeia. A gratidão nos reconecta ao Criador e reacende a comunhão com o próximo.

O livro de Provérbios nos lembra: “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17:22). A gratidão não apenas cura quem a sente, mas também quem a recebe. É um antídoto contra a frieza do mundo, uma tocha que ilumina relações e aquece corações.

Quem é grato vive desperto para os milagres diários, um sorriso, uma palavra amiga, um gesto de bondade. A gratidão abre os olhos para ver o invisível e abre os lábios para dizer:

“Eu reconheço, eu lembro, eu valorizo.”

Conclusão: No tribunal da vida, seremos julgados não apenas pelo que fizemos, mas também pelo que deixamos de fazer. Entre a luz da gratidão e as trevas da indiferença, nossa escolha revelará não apenas quem somos, mas a quem realmente servimos.

Pois como diz Provérbios 11:25: “A alma generosa prosperará, e o que regar também será regado.”

Por Naime Márcio Martins Moraes – Advogado e professor Universitáro