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A dança dos fantoches e o banquete dos bobos da corte

O brasileiro é um fenômeno sociológico que deveria ser estudado pela NASA, ou ao menos por uma equipe de psiquiatras bem-disposta, é o que se ouve dizer por aí. Vivemos num ecossistema político onde a indignação dura exatos três segundos – o tempo de dar “play” num meme do WhatsApp -, e a memória eleitoral tem a validade de uma fruta madura fora da geladeira.

A tradição, diga-se de passagem, vem de berço. Desde que a República foi proclamada num rompante de golpe, sem participação do povo, o roteiro do pastelão já estava escrito. O primeiro presidente foi forçado a renunciar por suspeitas de corrupção, o segundo, que era o vice, resolveu os problemas do país na base da pólvora e da covardia, massacrando brasileiros e destruindo Canudos. De lá para cá consolidou-se a engenharia social perfeita: o famoso toma lá, dá cá. Uma engrenagem tão bem lubrificada que, se algum incauto tentar trabalhar com honestidade, é imediatamente segregado e expulso pelo sistema por atrapalhar o banquete.

Nas ruas e nas praças, o espetáculo ganha contornos de um verdadeiro carnaval pastelão. É um festival de cores gritantes, bandeiras tremulando, santinhos voando de mão em mão, empurrões e uma algazarra que simula uma grande festa democrática. A “turma do sanduíche” cumpre seu papel com maestria: uns trabalham de verdade sob o sol escaldante, outros apenas encenam um entusiasmo fabuloso. O detalhe irônico é que toda essa encenação e o fuzuê eleitoral do candidato milionário já estão sendo pagos do bolso dos próprios militantes. Eles garantem a festa do patrão para, logo em seguida, passarem os quatro anos seguintes murmurando, reclamando da vida e xingando o governo – até que chegue a próxima eleição e eles voltem às ruas novamente em troca de migalhas e esmolas legalizadas.

Para completar a fauna desse zoológico social, temos a plateia: os eleitores que assistem a tudo de camarote, murmurando pelos cantos, mas sem mover um único dedo para mudar nada. E no topo da hierarquia da covardia estão os “politicamente corretos”, talvez a pior espécie de todas. Essa turma sabe exatamente quem é quem, enxerga cada tramoia, entende o jogo de cartas marcadas, mas prefere a omissão covarde e o silêncio higiênico para não perder a pose nem a simpatia do círculo social. Fingem neutralidade e ignoram o circo pegando fogo, tornando-se cúmplices de luxo de toda a patifaria.

O espetáculo do eleitorado fanático é a outra parte do circo. O cidadão veste a camiseta do seu “estimado líder”, carrega a coleira com nome do político como se fosse título de nobreza, chora, ri, briga no churrasco de família por quem lhe acena as mãos e defende o seu corrupto de estimação com garra. Depois, faz piada de si mesmo, comenta as supostas falcatruas no bar e, na eleição seguinte, vota exatamente nos mesmos nomes.

Quanto aos políticos, os carreiristas, é um vale-tudo, não há óleo de Peroba que chegue, qualquer coisa para se eleger, onde adversários históricos se unem, se abraçam e pedem votos uns para os outros. O foco é único: o PODER e as benesses.

Portanto, não adianta chorar, reclamar ou fazer drama. Você é responsável pelo país estar como está – afinal, foi você quem escolheu, ou ficou assistindo de camarote o Circo pegando fogo. Mas, se preferir, pode sempre colocar a culpa no vizinho, no colega, no governo, no cachorro e, quem sabe, até no clima. Assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas dá muito mais trabalho, não é mesmo? e fique tranquilo, porque a regra do jogo é clara: sempre pode piorar.

Se você faz parte da turma que fica na arquibancada, assistindo a banda passar, e depois aparece indignado dizendo que “o governo está uma porcaria” e que “político nenhum presta”, faça um favor a si mesmo: dê uma boa olhada no espelho.

Olhe bem nos próprios olhos e procure o verdadeiro responsável. Talvez você até se reconheça … e, nesse momento, bata aquele arrependimento amargo por ter ajudado, por ação ou omissão, a empurrar o futuro das próximas gerações ladeira abaixo.

Mas calma: não precisa chorar! Afinal, reclamar depois é muito mais confortável do que participar antes.

Isaías 10:1-2 – “Ai dos que fazem leis injustas e dos que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e impedir que se faça justiça aos oprimidos; fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos.”

ACORDA BRASIL! “… O FUTURO É NOSSO”

Por Naime Márcio Martins Moraes – Advogado e professor universitário