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Qual é a hora de parar? Idosos e a difícil decisão de abandonar o volante

Conjunto semafórico da Praça João Mangabeira, na rótula dos Barris, em Salvador (BA) – Foto: Joá Souza / Ag. A TARDE

Desde o início de 2026, novas regras passaram a valer para a CNH, trazendo atualizações importantes para motoristas de todas as idades. Mas, afinal, como essas mudanças impactam a população idosa (60+)? Existe uma idade limite para dirigir no Brasil?

Quando o assunto é conduzir veículos, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não estabelece uma idade máxima para dirigir, ou seja, não há uma regra que obrigue o motorista a parar de conduzir por causa da idade.

O que a legislação brasileira determina, na verdade, é que a aptidão para comandar um veículo deve ser avaliada periodicamente por meio de exames médicos e, em alguns casos, psicológicos.

Atualmente, os prazos dos exames seguem a seguinte regra: a cada 10 anos, para condutores com idade inferior a 50 anos; a cada cinco anos, para condutores com idade igual ou superior a 50 anos e inferior a 70 anos; a cada três anos, para condutores com idade igual ou superior a 70 anos.

Esses períodos, no entanto, podem ser reduzidos caso o médico perito identifique alguma condição que exija acompanhamento mais próximo. Em outras palavras, o foco não está na idade em si, mas na capacidade real da pessoa de dirigir com segurança.

Segundo o médico de tráfego e coordenador da perícia médica do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (DETRAN-BA), Eduardo Guerra, essas medidas têm caráter preventivo.

“Como é atividade preventiva, nós também temos mecanismos para tentar diminuir ao máximo a possibilidade e a probabilidade de ter um evento ou um acidente. Primeiro, diminuímos o tempo de renovação (da CNH). Segundo, colocamos algumas restrições, como ‘só dirigir até o pôr do sol’ ou ‘não dirigir em vias de trânsito rápido’. Tudo para permitir um trânsito mais seguro para ele e para as outras pessoas”, explicou.

Dados atualizados do DETRAN-BA mostram que, em todo o território baiano, há 446.682 condutores idosos com a CNH dentro do prazo de validade.

Os números revelam a forte presença desse público no trânsito e ajudam a desfazer a ideia de que envelhecer significa abandonar o volante. Entre motoristas com idade de 60 a 69 anos, são 304.057 condutores regularizados. Já entre pessoas com mais de 70 anos, o total chega a 142.625 registros.

Papel da família

Embora envelhecer não impeça automaticamente ninguém de dirigir, é natural que o organismo passe por transformações.

Eduardo Guerra reforça que a intenção não é retirar a autonomia do idoso, mas garantir segurança. E por isso a família tem um papel importante a cumprir, pois, para o idos, ter uma carteira significa dizer que mantém sua autonomia.

Por isso, muitas vezes, são os parentes e pessoas próximas que percebem mudanças no comportamento ao volante, pequenos acidentes recorrentes, dificuldade de localização, lentidão nas reações ou insegurança no trânsito. Esses sinais merecem atenção.

Caso seja necessário interromper a direção, algumas atitudes podem ajudar nesse processo:

  • diálogo respeitoso;
  • conversar com empatia;
  • explicar que a decisão busca proteger a vida do próprio idoso e de terceiros;
  • acompanhamento familiar;
  • oferecer ajuda em deslocamentos do dia a dia;
  • incentivar uso de aplicativos, táxis, transporte público ou caronas organizadas.

Fonte: Portal A Tarde