Pular para o conteúdo

Noiva faz dois casamentos em dois dias seguidos para que avô diagnosticado com demência possa levá-la ao altar

Noiva faz dois casamentos em dois dias seguidos para que avô diagnosticado com demência possa levá-la ao altar — Foto: Reprodução

Quando Emma Noake se casou, em abril, já sabia que o avô George Lacey dificilmente conseguiria participar da cerimônia oficial. Diagnosticado com demência e Alzheimer, ele vivia em uma instituição de longa permanência e já não reconhecia os próprios familiares. O que a noiva não imaginava era que acabaria celebrando o casamento duas vezes em dois dias consecutivos para que ele pudesse compartilhar esse momento.

George não conseguiu comparecer ao casamento oficial devido ao agravamento dos sintomas da doença. Emma e o marido, Lester, optaram por uma cerimônia simples e intimista, com cerca de 35 convidados.

A ideia inicial da família era organizar apenas uma pequena comemoração na Glenburnie Lodge, instituição onde George vive em Wenvoe, no distrito de Vale of Glamorgan. Segundo Emma, o plano era fazer “um pequeno bufê e tirar algumas fotos com ele”.

Mas os funcionários decidiram transformar a homenagem em algo muito maior. Ao conhecerem os planos da família, informaram que “gostariam de fazer algo”, relembrou a noiva. No dia seguinte ao casamento oficial, uma nova celebração foi organizada especialmente para George.

Bolo, champanhe e a chance de conduzir a neta ao altar

A segunda cerimônia reuniu todos os elementos tradicionais de um casamento. A chef da instituição preparou um bolo de dois andares, o jardim foi decorado e um arco de balões foi montado para receber os convidados.

— A chef fez um bolo de casamento de dois andares, eles decoraram o jardim e montaram um arco de balões — contou Emma.

Garrafas de champanhe também fizeram parte da comemoração. Convites foram distribuídos aos moradores da instituição e a seus familiares, e muitos compareceram vestidos especialmente para a ocasião.

O momento mais emocionante, porém, foi reservado ao avô da noiva.

— A equipe de cuidadores ainda ajudou meu avô a, de certa forma, me conduzir até o altar — relatou a noiva.

Noiva faz dois casamentos em dois dias seguidos para que avô diagnosticado com demência possa levá-la ao altar — Foto: Reprodução
Noiva faz dois casamentos em dois dias seguidos para que avô diagnosticado com demência possa levá-la ao altar — Foto: Reprodução

Emma afirmou que os funcionários conseguiram transformar o que seria uma visita simples em “algo grandioso”, “muito bonito” e “totalmente inesperado”.

Gesto de carinho em meio ao avanço da doença

George foi internado em maio de 2024 e, segundo a família, seu estado de saúde se deteriorou rapidamente desde então.

— Ele já não sabe mais quem somos — disse Emma.

Apesar da progressão da doença, algumas lembranças ainda parecem resistir.

— Ele ainda menciona nomes, como se fosse memória muscular, mas não reconhece que esses nomes pertencem a pessoas — conta.

Para a noiva, poder celebrar ao lado do avô teve um significado especial diante das limitações impostas pela demência.

— Você se apega aos momentos realmente bons, e o fato de nos proporcionarem essa oportunidade foi simplesmente incrível.

A celebração proporcionou à família um raro momento de alegria em meio aos desafios trazidos pelo diagnóstico de Alzheimer e demência.

George também ocupa um lugar especial na história da Glenburnie Lodge. Ele foi um dos primeiros moradores a ingressar na instituição após sua inauguração, em 2024.

A diretora da instituição, Emma Watson, destacou o vínculo construído entre George e a equipe.

— George foi um dos primeiros moradores a se mudar para a instituição quando ela foi inaugurada, em 2024, então nem é preciso dizer que ele é muito querido e extremamente popular. Quando soubemos do casamento, tivemos certeza de que queríamos transformá-lo em uma ocasião inesquecível, e ficamos felizes por Emma ter podido compartilhar esse momento precioso com George e com o restante da família neste dia tão especial.

Para Watson, oferecer essa segunda celebração foi uma forma de retribuir o carinho dedicado a um morador considerado “muito querido” e permitir que a família construísse uma lembrança que permanecerá viva muito além das limitações impostas pela doença.

Fonte: O Globo