
Aquele cachorro cheio de energia já não corre da mesma maneira, não tem o mesmo apetite, dorme mais ou precisa de mais tempo para se levantar. A idade em que um cão é considerado sênior varia, principalmente, conforme o porte, e o envelhecimento não começa quando aparecem os pelos brancos. É um processo amplo, e essa fase não é sinônimo de perda de qualidade de vida ou de fim de passeios e brincadeiras.
“Não existe uma idade exata em que todos os cães passam a ser idosos. O envelhecimento, segundo a AAHA [American Animal Hospital Association], é influenciado pelo porte, pela raça, pelo histórico de saúde e pelo estilo de vida. Por isso, mais importante do que esperar o animal apresentar sinais visíveis de ‘velhice’ é acompanhar sua saúde ao longo de toda a vida”, afirma a médica veterinária Mayara Andrade, da marca de alimentos GranPlus.
Cães de grande porte, geralmente com menor expectativa de vida, tendem a chegar ao envelhecimento mais cedo do que cães de pequeno porte. Mudança de comportamento, no entanto, não deve ser automaticamente atribuída à idade.
Isso porque, segundo Mayara, com o passar dos anos, podem ocorrer alterações e declínios em diferentes funções do organismo, incluindo as cognitivas, além de mudanças no metabolismo, na composição corporal, na musculatura, nas articulações e na saúde bucal.
Desorientação, variações no padrão de sono, perda de peso e menor interação com pessoas ou outros animais são sinais que merecem atenção e podem estar relacionados a condições de saúde que precisam ser investigadas.
A veterinária ressalta que não é preciso esperar o cachorro envelhecer para incorporar hábitos que favoreçam uma vida saudável. O pet idoso não deve ser sedentário, mas passeios e brincadeiras podem precisar de ajustes de período e de ritmo, respeitando os limites de cada um. “A atividade física adequada ajuda a manter o animal ativo e pode contribuir para sua saúde física, cognitiva e seu bem-estar. O segredo é adaptar a rotina e o ambiente às condições de cada cão.”
Além disso, consultas regulares ao veterinário são essenciais para identificar alterações rapidamente, de forma preventiva, ou para acompanhar condições crônicas.
“Isso é importante porque alguns problemas podem começar de maneira silenciosa. Para o responsável, a consulta também é uma oportunidade de revisar vacinação, controle de parasitas, saúde bucal, alimentação, peso, atividade física e comportamento, iniciando uma preparação e conscientização também para essa nova fase”, afirma Mayara.
A veterinária lembra que houve aumento do interesse pela adoção de animais na pandemia e, agora, muitos desses cães já estão na terceira idade.
“É comum que o responsável continue enxergando o cachorro como aquele filhote que chegou à família anos atrás. Mas as necessidades mudam com o tempo. Acompanhar essas mudanças e adaptar os cuidados é uma forma de contribuir para que o animal tenha mais qualidade de vida em cada fase”, diz.
A veterinária lista cinco cuidados que fazem parte de todas as fases da vida do pet:
- Acompanhe o peso: alterações devem ser avaliadas, principalmente se acontecem sem mudanças intencionais na alimentação ou na rotina;
- Observe o comportamento: mudanças na disposição, no apetite, no sono ou na interação podem ser sinais de que algo mudou;
- Mantenha consultas veterinárias: a frequência deve ser definida conforme a idade, o histórico e as necessidades de cada animal;
- Ofereça alimentação adequada: composição e quantidade devem acompanhar as necessidades do pet, podendo ser necessários ajustes, principalmente em relação à recomendação diária;
- Mantenha o cachorro ativo: passeios e brincadeiras devem fazer parte da rotina, sempre respeitando a condição física e os limites do animal. Quando necessário, adapte também o ambiente para facilitar a movimentação e garantir mais segurança e conforto, como evitar pisos escorregadios e facilitar o acesso aos locais que o animal utiliza no dia a dia.
DIA MUNDIAL DO CACHORRO
O Dia Mundial do Cachorro é lembrado em 26 de agosto. O objetivo é conscientizar para a adoção responsável e contra os maus-tratos.
Adotar um animal de estimação é uma decisão para a vida toda. Para a veterinária, a data serve também para lembrar que os cuidados devem se refletir em todas as fases da vida.
“No fim das contas, envelhecer é um processo natural da vida. E o Dia do Cão pode ser um bom lembrete de que cuidar de um cachorro não significa apenas aproveitar os anos de filhote ou adulto, mas acompanhar todas as fases da vida. Para os cães que chegaram às famílias durante a pandemia, essa próxima etapa está próxima ou já chegou. Para os demais, ela também vai chegar. Hoje, a medicina veterinária está mais avançada, e os cães têm vivido mais, resultado também da evolução nos cuidados com saúde, alimentação, prevenção e acompanhamento veterinário. Quanto mais cedo esses cuidados fazem parte da rotina, maiores são as oportunidades de acompanhar o envelhecimento de forma saudável e contribuir para mais qualidade de vida e longevidade”, afirma.
Ao longo do ano, no entanto, outras datas homenageiam ou reforçam a importância dos cuidados com os pets. O Dia Nacional dos Animais é lembrado anualmente em 14 de março; em abril há o Dia Mundial dos Animais de Rua e o Dia Internacional do Cão-Guia; já o Dia do Vira-Lata é comemorado em 31 de julho. O dia 4 de outubro é marcado pelo Dia Mundial dos Animais e pelo Dia de São Francisco de Assis, santo protetor; é também Dia do Cachorro e o Dia Nacional de Adoção de Animais.
Fonte: Folha de S. Paulo





