
Aos 108 anos, Susan Young Browne ainda começa os dias em movimento. Entre alongamentos matinais, aulas de ginástica em grupo e passeios de carro pela cidade, a aposentada de Delaware, nos Estados Unidos, transformou a longevidade em um exercício diário, e sem qualquer intenção de desacelerar.
“Você é o centro das atenções!”, gritaram os colegas quando ela entrou em mais uma aula no Modern Maturity Center, em Dover, onde é frequentadora desde 1973 e uma das primeiras alunas do espaço voltado para idosos. Com um sorriso, respondeu de forma direta: “Eu tenho mais de cem anos. Cento e oito”.
Browne frequenta o centro comunitário três vezes por semana e afirma que a atividade física sempre foi parte essencial de sua vida. Recentemente, renovou sua carteira de motorista, válida até 2033, e continua dirigindo sozinha. “Quando acordo de manhã, tenho uma rotina de exercícios que venho seguindo há 20 anos”, contou à CBS, em reportagem exclusiva publicada na quinta-feira (7).
Uma vida inteira em movimento
Nascida em 1918, em Houston, no estado de Delaware, Susan cresceu durante o período de segregação racial nos Estados Unidos e ajudava a família em uma fazenda que não tinha água encanada nem eletricidade. Mais tarde, estudou no Delaware State College for Colored Students, hoje chamado de Delaware State University, e se formou em 1945.
Ela dedicou três décadas ao magistério, ensinando crianças em diferentes regiões de Delaware, inclusive em uma escola rural de sala única. A aposentadoria, porém, nunca significou inatividade. “Quando me aposentar, depois de ter percorrido aquela sala de aula por 30 anos, não vou me sentar”, disse.
Mãe, avó e bisavó, Browne também é lembrada pelo humor afiado e pelo tradicional bolo inglês, reservado para ocasiões especiais em família. Sua festa de 108 anos reuniu mais de 130 pessoas, entre elas o governador de Delaware, Matt Meyer. Entre aplausos e homenagens, ela resumiu sua filosofia de vida em poucas palavras: “Envelheço com graça”. Como presente simbólico para alguém que ainda dirige sozinha aos 108 anos, ganhou uma vaga de estacionamento reservada exclusivamente para motoristas com mais de 100 anos. Antes de partir, deixou apenas uma despedida simples: “OK, até mais”.
Fonte: O Globo





