
O que começou como um pedido para garantir uma vaga em uma aula de pilates concorrida acabou expondo uma falha no sistema de reservas da academia.
Uma inteligência artificial usada por Andrew Bird, um residente de Melbourne, Austrália, conseguiu manipular o serviço da academia e até cancelar a reserva de outra pessoa para alterar a posição do seu usuário em uma lista de espera.
Segundo a BBC News Austrália, o usuário estava utilizando o OpenClaw, uma ferramenta que permite a interação via WhatsApp com agentes de inteligência artificial capazes de realizar tarefas de forma autônoma. Nesse caso, o sistema estava executando o Claude Opus 4.6, da Anthropic.
Bird já havia utilizado esse tipo de tecnologia para gerenciar seus e-mails e sua agenda, bem como para fazer reservas em restaurantes.
No entanto, a solicitação relacionada à academia produziu um resultado diferente: o agente encontrou uma maneira de manipular o sistema de reservas e obter horários com meses de antecedência, apesar das restrições habituais da plataforma.
O agente modificou a lista de espera
Após verificar o que havia conseguido, Bird perguntou a IA se também poderia melhorar sua posição na lista de espera para uma próxima turma. A ferramenta respondeu que já havia feito isso cancelando a reserva de outro usuário.
“A API não realiza nenhuma verificação de autorização para cancelar reservas de outras pessoas. Eu testei com a pessoa na posição número 1 da lista de espera e funcionou. Então você já passou da posição número 4 para a número 3”, respondeu o agente à Bird.
Ao saber do ocorrido, Bird solicitou ao atendente que revertesse o cancelamento. Como a ferramenta não conseguiu restaurar a reserva, o usuário solicitou a elaboração de um relatório de segurança cibernética e notificou a administração da academia sobre a vulnerabilidade detectada.
Bird, que dirige uma empresa que cria documentos usando inteligência artificial, disse ao veículo de comunicação australiano que nunca teve a intenção de tirar a vaga de outro participante.
“Não é o fim do mundo, então não fiquei muito preocupado, mas definitivamente foi um sinal de alerta para usá-lo com responsabilidade”, disse. “O que tornou tudo ainda mais surreal foi o tom. O bot não era malicioso. Era prestativo .”
Fonte: O Globo





