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Estar acompanhado nem sempre é estar conectado: entenda a solidão na velhice e os riscos à saúde

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Dividir a casa com filhos ou netos não garante que a pessoa idosa se sinta ouvida ou acolhida. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente uma em cada dez pessoas idosas sente solidão, enquanto uma em cada quatro está socialmente isolada. O impacto da desconexão vai além do mal-estar emocional: o isolamento prolongado está associado ao aumento do risco de depressão, ansiedade, declínio cognitivo, problemas cardiovasculares e perda progressiva da autonomia física.

A geriatra cooperada da Unimed-BH, Bárbara Correa, explica que é preciso diferenciar o isolamento (a redução objetiva dos contatos) da solidão (a sensação subjetiva de falta de vínculo). “A solidão persistente não é uma consequência natural do envelhecimento. Uma pessoa pode morar sozinha sem se sentir solitária, desde que mantenha uma boa rede de apoio. Por outro lado, outra pode estar cercada por familiares e experimentar uma profunda sensação de desconexão”, ressalta a médica.

O enfraquecimento dos vínculos pode ocorrer de forma silenciosa, associado a fatores como aposentadoria, viuvez, perda de mobilidade ou redução da audição. É importante ficar atento quando o idoso começa a recusar convites ou demonstra apatia e abandono dos cuidados pessoais. Mudanças repentinas de comportamento também exigem investigação médica, pois podem sinalizar dores crônicas, infecções ou reações adversas a medicamentos.

Para combater o quadro, a estratégia não é ocupar toda a rotina da pessoa, mas garantir a qualidade do convívio e preservar sua autonomia. “É importante oferecer ajuda sem retirar do idoso as decisões e tarefas que ele ainda consegue desempenhar. Dar independência sempre que possível faz com que ele se sinta incluído e tenha a real sensação de pertencimento”, orienta a geriatra da Unimed-BH. Alterações persistentes de humor ou memória devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Sinais de Alerta na Pessoa Idosa

Mudanças de comportamento: Apatia, irritabilidade, tristeza constante ou perda do interesse por hobbies antigos.

Afaste gradual: Recusa frequente a convites sociais e redução de conversas com familiares ou vizinhos.

Alterações na rotina: Mudanças bruscas no apetite, peso, padrão de sono e descuido com a higiene pessoal.

Sinais funcionais: Aumento do consumo de álcool, erros no uso de medicamentos e dificuldade para gerir tarefas do dia a dia.

Fonte: Jornal O Tempo