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Em quais idades o corpo sente mais dor? A ciência pode ter encontrado a resposta

Dor no joelho — Foto: Magnific

É normal que, com o passar dos anos, o corpo comece a apresentar problemas de saúde e algumas dores. Tanto que uma das frases que se tornam mais comuns a partir de certa idade é: “Estou ficando velho”. Outra crença bastante difundida é a de que a dor física é inevitável e não tem tratamento.

Embora seja difícil para a medicina mensurar a dor, já que ela não pode ser observada por meio de uma ultrassonografia ou radiografia, também não existe um instrumento, como um termômetro, capaz de quantificá-la. Por isso, a única maneira de conhecer sua intensidade é por meio do relato dos pacientes.

No entanto, uma pesquisa realizada pela Universidade McGill, no Canadá, liderada por Matt Fillingim e Etienne Vachon-Presseau e publicada na revista Nature Medicine, analisou dados de mais de seis milhões de pessoas em 118 países para traçar a curva global da dor ao longo da vida.

Os cientistas reuniram e examinaram informações provenientes de 902 fontes populacionais de todo o mundo, entre 1990 e 2025. O trabalho se tornou o primeiro mapa mundial interativo a mostrar como a dor se distribui ao longo da vida.

Algumas pessoas acreditam que as dores no corpo são constantes e aumentam progressivamente com o envelhecimento, mas, na realidade, elas seguem um padrão diferente.

De acordo com os especialistas, os aumentos mais acentuados e rápidos da dor costumam ocorrer antes de os indivíduos completarem 55 anos. A partir dessa idade, a evolução da dor física muda significativamente.

Para obter resultados mais precisos, os pesquisadores analisaram a dor em 11 regiões anatômicas específicas, da cabeça aos pés, em pessoas com idades entre 5 e 100 anos.

Os cientistas avaliaram fatores importantes, como a intensidade da dor, o sexo e o nível socioeconômico de cada participante. Embora algumas pessoas acreditem que a dor piora com a velhice, as evidências científicas apontaram resultados diferentes.

Esta é a idade em que o corpo sente mais dor, segundo o estudo

A pesquisa revelou que é entre os 20 e os 55 anos que a carga de dor mais se acumula. O coautor do estudo, Etienne Vachon-Presseau, explicou que esse fenômeno não segue um padrão uniforme, mas consiste em “um conjunto de padrões não lineares distintos, que diferem em sua cronologia e distribuição anatômica”.

Além disso, os pesquisadores descobriram que sete das 11 regiões analisadas seguem uma trajetória uniforme em formato de U invertido, com um pico durante a vida adulta e uma redução progressiva ao longo do tempo.

Um exemplo claro é a dor de cabeça, cuja prevalência atingiu o pico aos 34 anos, enquanto diferentes tipos de dor abdominal chegaram ao máximo aos 23 anos. Já em regiões como o pescoço e os ombros, o pico ocorre por volta dos 62 anos, seguido de estabilização ou redução.

Por outro lado, as dores nas articulações que suportam o peso do corpo, como quadris e joelhos, continuam aumentando a partir dos 75 e 80 anos, respectivamente, devido ao acúmulo de carga mecânica ao longo do envelhecimento.

“A constatação deste trabalho de que alguns tipos de dor, como as viscerais ou as enxaquecas, são observados em idades mais jovens provavelmente se deve à sua relação com níveis hormonais específicos, que explicariam bem a trajetória em U invertido observada neste estudo. Já as dores localizadas na coluna lombar, nos quadris e nos joelhos apresentam uma trajetória linear até idades mais avançadas, porque estão mais relacionadas ao envelhecimento e à sobrecarga. Trata-se de um mecanismo fisiopatológico diferente, que leva a outras doenças e a outros tipos de dor”, afirmou Javier Rivera, diretor da Unidade de Reumatologia e Fibromialgia do Instituto Nacional da Dor, em declaração ao Science Media Centre (SMC).

Fonte: O Globo