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Como promover inclusão digital para idosos, leitor?

Maria das Graças Rodrigo de Carvalho, 76, aposentada, mexe no celular em sua casa – Mathilde Missioneiro/Folhapress

Assim como o acesso ao entretenimento, o acesso a sistemas do governo, documentos e processos burocráticos se torna cada vez mais digital. Nesse processo, a falta de inclusão digital pode gerar um processo de exclusão, especialmente entre pessoas idosas. Em coluna publicada no domingo (21), Ruy Castro cita um cartum que demonstra a problemática.

Para o autor, há uma realidade que ocorre neste momento em todos os lugares: pessoas “com macróbios quase centenários como eu ou talvez você” não conseguem acompanhar a velocidade com que o smartphone evolui, mesmo tendo se dedicado a entender essa e outras tecnologias.

“Até que enfim alguém denunciou essa violência”, “E a maldita identificação facial?”, endossam comentários feitos na coluna. “Artigo necessário, essencial, e que deveria ser replicado… O assunto tem sido desprezado, tanto quanto nós, idosos, temos sido desprezados pela tecnologia que a todo dia muda”, escreve um dos leitores. Outro aponta que a dificuldade também atinge “novinhos”.

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2025, mais de 80% da população de 60 a 69 anos tem celular; entre os 70 e os 79, são 66%, e, a partir dos 80 anos, 35%. No entanto, eles não costumam ter familiaridade com as funcionalidades do aparelho.

Foi a partir dessa dificuldade que o casal de engenheiros aposentados, Maria Helena e Tarcísio Cabral, 70, decidiu se dedicar ao aprendizado da tecnologia para ensinar outros idosos online. Hoje, por meio do perfil 60demais, eles compartilham o conhecimento adquirido com cerca de 170 mil seguidores. O projeto se tornou referência em inclusão digital para idosos.

“Para ensinar as pessoas a serem independentes, quem precisava ser independente primeiro éramos nós. Tivemos que aprender a gravar, editar, publicar vídeos e fazer tudo sozinhos”, diz Maria Helena em entrevista ao F5. Para os criadores de conteúdo, é preciso que a didática considere ritmo e referenciais próprios da idade: “Não adianta usar a mesma linguagem de quem nasceu na era digital.”

Ao F5, a dupla sugere ações como reservar alguns minutos por dia para explorar uma função do celular e fazer uma pausa antes de clicar em links e responder mensagens suspeitas. Também recomenda escolher tarefas para executar sozinho e transformar o celular em assistente pessoal, organizando compromissos, medicamentos e ideias com o aparelho.

Para você, leitor, como é possível promover inclusão digital para idosos? Quais são outras medidas que você acha relevantes para que a pessoa idosa desenvolve esse conhecimento? 

Fonte: Folha de S. Paulo