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‘A velhice é um privilégio’, diz Zezé Motta

Aos 82 anos, a atriz Zezé Motta conta sobre sua rotina de exercícios, dieta, alimentação e saúde mental. Na foto, ela pratica exercícios na praia do Leme — Foto: Marina Calderon / Agência O Globo

Aos 82 anos, a atriz Zezé Motta está no ar na novela das seis, “A Nobreza do Amor”, está gravando filmes, comemorando 60 anos de carreira e praticando atividade física como nunca.

A artista costuma fazer seus exercícios ao menos três vezes na semana, com um personal, entre a academia do prédio e exercícios ao ar livre na praia do Leme.

Nas redes sociais, seus vídeos de treino acumulam milhares de visualizações e comentários de seguidores que a reconhecem como inspiração para envelhecer com autonomia.

— Dos meus 6 aos 12 anos de idade estudei em um colégio interno. Nós acordávamos, tomava banho frio, café da manhã e fazíamos exercícios. Depois que eu saí do colégio falava com minha mãe que eu sentia falta dessa rotina. Nunca parei — diz em entrevista ao GLOBO.

Além do exercício, Zezé afirma que cuida da saúde com análise ao menos uma vez na semana, alimentação saudável diária e muito amor. Ela namora, entre idas e vindas, há mais de 20 anos, um homem 24 anos mais novo.

Sem dúvida nenhuma. Eu não tenho mais a memória de 20 anos atrás, mas graças a Deus tenho sido elogiada para decorar os meus textos da novela (Zezé está no ar na novela das 6, “A Nobreza do Amor”). Agora, tenho uma mordomia a minha disposição que é o ponto no meu ouvido. Se e quando for necessário, posso colocar um ponto no meu ouvido para me falarem o texto. Quando tem muito texto, ajuda. São coisas que a gente conquista com a idade.

Qual é a sua sugestão para quem quer começar a praticar exercício físico?

O que eu posso dizer para essas pessoas é que realmente dá preguiça. Eu também sinto, mas vão, façam exercícios. Vai dar aquela dorzinha muscular, mas insista. Incomoda um pouco, mas depois que se acostuma é uma maravilha. Adoro quando vou fazer um trabalho e as pessoas correm para segurar minhas mãos, me ajudar a levantar, perguntam se eu consigo andar sozinha ou se consigo subir escadas. E eu falo: “gente, eu malho. Tiro de letra. Subo e desço. Tenho um personal”. Isso é maravilhoso. Ter sua independência. Sua própria mobilidade. Nós ficamos livres, leves e soltas. Mas, tenho consciência, sei que daqui uns anos é possível que eu não consiga fazer tudo isso, rolará algumas limitações, e está tudo bem.

E você também está namorando, certo?

Eu adoro falar isso em entrevistas. Não é por vaidade ou para me mostrar, mas para incentivar outras pessoas como eu e falar que apesar de já sermos idosos, ou termos uma idade avançada, podemos viver normalmente e aproveitar a vida. E ele não tem a minha idade não viu? Ele tem 58 anos. Não que eu ache que tenha que namorar novinhos, mas aconteceu e lá se vão 20 anos entre idas e vindas. Nós tivemos outras histórias, mas chegamos à conclusão de que tínhamos que ficar juntos. Com certeza é o amor da minha vida. Lembro de minha saudosa sogra, que eu era mais velha do que ela. Mas não é algo chocante ou desgastante para as pessoas. Ninguém comenta sobre a nossa diferença de idade. Ele é alto e forte, então acredito que confunda um pouco em relação a isso, mas não ligamos. Enquanto há vida, há prazer. Tem que buscar o prazer e ser feliz.

E ainda há prazer?

Muito. Quando era jovem, recebi o título de símbolo sexual por conta do meu papel em “Xica da Silva” e me sentia no dever de dar mais prazer. Precisava ser uma Mulher Maravilha na cama, poxa eu era um símbolo sexual. Mas, agora, com 82 anos, eu não sinto mais como se eu tivesse esse compromisso. Eu tenho prazer porque tenho mesmo, por minha causa e não porque me colocaram lá.

Além do exercício físico, como você cuida da saúde de maneira geral?

Eu adoro fazer caminhadas. Faço análise pelo menos uma vez na semana. Mudei meus hábitos alimentares de um tempo para cá. Fui criada jantando, mas hoje não janto. Evito me alimentar com comida pesada à noite. No máximo uma sopa, um caldo, ou uma fruta e uma salada. Desde que fiz essa mudança, durmo melhor, tenho me sentido mais leve.

E nas demais refeições, você faz alguma restrição ou dieta?

Começo meu dia com um bom café da manhã, mas tenho uma mania de que na parte da manhã só como frutas em forma de vitamina. Minha nutricionista, aliás, está querendo cortar minhas vitaminas porque eu misturo: banana, maçã, mamão e acaba aumentando a concentração de açúcar. Costumo bater a carne na sopa à noite, por exemplo. No almoço, como frango, peixe, camarão, bacalhau. Não gosto muito de arroz, dei para implicar com ele, não sei por que, mas em compensação, amo macarrão. Também não faço questão de doces, chocolates, até porque sou diabética. Então nem posso. Agora um vinhozinho ou um champanhe, não resisto. E, no verão, uma cervejinha.

Em suas redes sociais é comum as pessoas comentarem que você a não aparenta a idade que tem, como se sente com esse elogio?

Fico muito orgulhosa, mas também na hora que as rugas quiserem aparecer, vou achar bacana. As rugas têm o seu charme, elas contam sua história, a vivência. Acredito que, no meu caso, tem a ver com o fato de eu ser bisneta de indígena. Não tenho pelos pelo meu corpo, nunca precisei raspar minhas pernas. Mas eu também gosto de cuidar da minha pele. A hidrato todos os dias e pelo menos uma vez por mês faço uma limpeza de pele. Não passo protetor solar todos os dias, sei que é necessário, mas só passo quando saio de casa. Não vou para a rua sem uma proteção. Eu trabalho com a minha imagem, então é necessário sempre cuidar dela.

Você já fez algum procedimento estético?

Eu tinha umas bolsas debaixo dos olhos e uma pele em cima deles que chegou um ponto que eu não conseguia mais enxergar. Minha médica achou melhor tirar essa pele em excesso. E, neste dia, aproveitei a anestesia e dei uma esticada na pele do rosto. Mas foi algo simples e natural. Ninguém percebeu.

Hoje, com 82 anos, como você enxerga a velhice?

Como algo natural. Eu li uma entrevista da Rita Lee um tempo atrás dizendo que a velhice é um privilégio e acredito que é isso mesmo, a longevidade é um privilégio. É sinal de que estamos vivos.

Fonte: O Globo