
Segundo uma pesquisa publicada na revista Nature Aging, “a integração multiorgânica prevê expectativas de vida médias entre 146 e 194 anos”. A análise utilizou um modelo matemático para estimar o limite biológico da longevidade, partindo do pressuposto de que as mutações somáticas são o principal fator determinante do envelhecimento.
O estudo foi desenvolvido por Evgeniy Efimov, Vlad Fedotov, Leonid Malaev, Ekaterina E. Khrameeva e Dmitrii Kriukov, cientistas do Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia (Skoltech) e do Instituto de Pesquisa em Inteligência Artificial, ambos em Moscou, na Rússia. Os autores buscaram quantificar o quanto as mutações que se acumulam nas células ao longo da vida influenciam a sobrevivência do organismo.
Para isso, os especialistas criaram um modelo que incorporou gradualmente diferentes fatores relacionados ao envelhecimento. Em seguida, analisaram um cenário no qual todos esses processos, com exceção das mutações somáticas, fossem interrompidos. Com esse método, procuraram entender até que ponto esse mecanismo, isoladamente, poderia limitar a expectativa de vida.
As mutações somáticas são alterações aleatórias que surgem no DNA de determinadas células com o passar dos anos. Embora muitas delas não produzam efeitos visíveis, outras alteram o funcionamento celular ou provocam a morte das células. De acordo com os pesquisadores, esse dano se acumula ao longo do tempo e acaba comprometendo o funcionamento de diferentes órgãos.
Com base nessas diferenças, o modelo calculou uma expectativa de vida média que varia entre 146 e 194 anos. Além disso, outra fórmula matemática desenvolvida pela equipe chegou a um resultado próximo de 156 anos. No entanto, os autores ressaltam que essas conclusões representam apenas um cenário hipotético e não devem ser interpretadas como uma previsão da longevidade que a população poderá alcançar.
A publicação também destaca que as mutações somáticas não explicam completamente o envelhecimento. Na verdade, os cientistas concluem que outros processos biológicos contribuem de forma significativa para a deterioração do organismo. Portanto, nenhum mecanismo, isoladamente, é capaz de explicar a mortalidade humana.
Segundo os autores, o modelo ajuda a identificar como cada processo do envelhecimento influencia os demais e como eles interagem entre si. Embora ainda existam fatores a serem investigados, a pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre os limites biológicos da vida humana, mas não significa que seja possível atingir essas idades com a medicina atual.
Fonte: O Globo





