
Sentir-se mais sozinho, perder o interesse por atividades de rotina e apresentar tristeza frequente não deve ser tratado como uma consequência inevitável do envelhecimento. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), esses sinais podem indicar sofrimento emocional, impacto de mudanças na vida e até condições clínicas que merecem investigação.
Na velhice, fatores como aposentadoria, perda de pessoas próximas, redução da mobilidade e diminuição do convívio social podem afetar o bem-estar. Ainda assim, especialistas reforçam que envelhecer não significa abrir mão de desejos, projetos e vínculos.
“Envelhecer não significa deixar de ter projetos, desejos, interesses e vínculos. A saúde mental precisa ser cuidada ao longo de toda a vida e, na velhice, isso passa também pela manutenção da autonomia, das relações sociais e de uma rotina que faça sentido para aquela pessoa”, afirma o geriatra Fabio Leonel, presidente da SBGG-SP.
Manter uma rede de relacionamentos é apontado como um dos pilares para reduzir a solidão no dia a dia. Participar de atividades em grupo, manter contato com familiares e amigos e cultivar hobbies são estratégias que ajudam a preservar a participação social.
Família deve apoiar sem tirar a autonomia
A família tem papel importante na atenção à saúde mental, mas o cuidado precisa respeitar a independência da pessoa idosa. A tentativa de “proteger” assumindo tarefas que ela ainda consegue realizar pode acelerar a perda de autonomia e afetar a autoestima.
“Cuidar não significa fazer tudo pela pessoa idosa. É importante oferecer suporte, mas também permitir que ela continue tomando decisões e realizando as atividades que consegue fazer. Ter autonomia e sentir-se útil são aspectos importantes para a qualidade de vida”, diz Leonel.
Atividade física e estímulo mental entram na rotina
Outra recomendação é manter o corpo em movimento, com atividades adequadas à condição de cada pessoa e orientação quando necessário. Caminhadas, dança e exercícios ao ar livre podem contribuir para o bem-estar físico e emocional.
O estímulo cognitivo também é citado como parte de uma rotina mais saudável, com práticas como leitura, jogos, música e aprendizado de novas habilidades.
Sinais de alerta que pedem avaliação
Especialistas orientam que mudanças importantes de comportamento não sejam automaticamente atribuídas à idade. Entre os sinais que merecem atenção estão falta de energia, alterações relevantes no sono ou apetite, irritabilidade, isolamento, perda de interesse por atividades habituais, tristeza frequente e sentimentos de desesperança.
“Quando percebemos uma mudança significativa no comportamento de uma pessoa idosa, é importante investigar o que está por trás dela. Não devemos simplesmente dizer que ‘é da idade’. A avaliação permite identificar se existe alguma condição de saúde, alteração emocional ou situação social que esteja interferindo naquele momento”, ressalta o presidente da SBGG-SP.
Para a entidade, a saúde mental deve fazer parte do acompanhamento integral da pessoa idosa, observando não apenas doenças, mas também a rotina, a rede de apoio e a participação nas decisões sobre a própria vida. A combinação de vínculos sociais, autonomia, atividade física, estímulo mental e acompanhamento profissional quando necessário pode favorecer um envelhecimento com mais qualidade de vida.
Fonte: Brazil Health





