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Remédio que não vem da farmácia, prescrição social combate a solidão e a sobrecarga nos postos de saúde

O conceito ganhou muita força a partir dos anos 2000, quando houve o reconhecimento de que muitos problemas de saúde têm raízes puramente sociais – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Uma abordagem que está transformando a forma de cuidar dos idosos é a prescrição social, que nada mais é do que a capacidade de os profissionais de saúde identificarem necessidades não médicas de uma pessoa, como a solidão ou a falta de atividade física, conectando-a a recursos da comunidade. Como esclarece o médico Egídio Dorea, coordenador do Programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo: “Em vez de passar apenas um medicamento de farmácia, o profissional ‘receita’ atividades como grupos de caminhada, oficinas de arte, coral, jardinagem ou voluntariado”.

Surgido no Reino Unido nas décadas de 1980 e 1990, esse conceito ganhou muita força a partir dos anos 2000, quando houve o reconhecimento de que muitos problemas de saúde têm raízes puramente sociais, e se espalhou pelo mundo com o aval da Organização Mundial da Saúde, focado no envelhecimento saudável. Dorea afirma que se trata de uma ferramenta poderosa para a população idosa: “Ela ajuda diretamente a preservar e otimizar as funcionalidades do idoso ao longo da vida. A prescrição social combate frontalmente a solidão, que é um dos grandes fatores de risco para o declínio cognitivo, depressão e doenças crônicas”, diz. “Ao promover o engajamento social e o sentido de propósito, a pessoa ganha bem-estar emocional, o que contribui para manter a autonomia e a independência na velhice”.

Situação no Brasil

O Brasil não está alheio a essa discussão e já deu início a essa prática nos serviços de saúde. Dorea conta que, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o profissional e o assistente social podem mapear os interesses do idoso e conectá-lo a Centros de Convivência, universidades da terceira idade, hortas comunitárias ou grupos de dança. “Aqui mesmo, no Hospital Universitário da USP, já temos iniciativas de prescrição social que integram a saúde física, mental e social, muitas vezes em parcerias com prefeituras e ONGs. O resultado é uma menor sobrecarga nos serviços médicos e idosos muito mais participativos”, afirma. Ou seja, a prescrição social faz lembrar que a saúde não se resume apenas a medicamentos, mas se constrói também com conexão e propósito.

Egídio Lima Dorea – coordenador do Programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo

Fonte: Jornal da USP