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Até 4 anos a mais de vida: o que o lugar onde você mora tem a ver com isso

Hábito de caminhada diária, incluindo para tarefas cotidianas, tem impacto positivo na saúde, segunda especialista — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo / Arquivo

O ambiente imediato — a vizinhança, as ruas, o que está ao virar da esquina — acaba tendo um impacto maior na saúde do que a genética, porque é o ambiente que molda os hábitos diários, muitas vezes sem que a pessoa sequer perceba. Essa ideia foi recentemente expressa por Dan Buettner, pesquisador das Zonas Azuis e explorador da National Geographic, em um vídeo publicado em sua conta do Instagram.

O americano citou cidades caminháveis ​​como Nova York como exemplo de suas afirmações, onde subir escadas, caminhar vários quarteirões e depender menos de carros fazem parte da rotina diária de seus habitantes sem que isso seja percebido como exercício. Esse movimento constante, segundo ele, ajuda a acelerar o metabolismo e reduzir o risco de doenças, além de estar associado a uma vida mais longa.

Portanto, ele explica como o planejamento urbano pode determinar a quantidade de atividade física que seus habitantes praticam; ou seja, cidades que criam condições propícias para caminhadas tornam seus moradores menos dependentes de carros ou outros sistemas de transporte. Isso impacta diretamente sua atividade física. Segundo Buettner, esses tipos de ambientes propícios para caminhadas podem aumentar a expectativa de vida em até quatro anos.

A ideia não é nova em seu trabalho: por mais de vinte anos, Buettner estudou as cinco Zonas Azuis originais — Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Icária (Grécia), Península de Nicoya (Costa Rica) e Loma Linda (Estados Unidos) — e uma de suas principais conclusões é que, nesses lugares, a longevidade não depende da força de vontade, mas sim do fato de o ambiente incentivar as pessoas a se movimentarem, se alimentarem bem e manterem laços sociais sem que elas tenham a intenção ativa de fazê-lo.

A mensagem final é clara: ir a pé ao mercado em vez de usar o carro, subir as escadas em vez de usar o elevador ou caminhar pelos mesmos bairros são formas de atividade física que não parecem exigir esforço, mas que podem se acumular ao longo do tempo.

América Latina está se consolidando como um dos lugares mais caminháveis ​​do mundo

Caminhar pelas cidades tornou-se uma das formas preferidas de explorá-las. Isso se reflete na terceira edição do ranking das 100 Melhores Cidades para Caminhar, compilado pela plataforma GuruWalk, que analisa os destinos mais populares e bem avaliados para viajantes que optam por passeios a pé com guias locais.

A lista de 2026 mantém o foco na Europa, sendo o top 10:

  1. Roma, na Itália
  2. Madri, na Espanha
  3. Budapeste, na Hungria
  4. Praga, na República Tcheca
  5. Lisboa, em Portugal
  6. Amsterdã, nos Países Baixos (Holanda)
  7. Porto, em Portugal
  8. Barcelona, na Espanha
  9. ​​Londres, no Reino Unido (Inglaterra)
  10. Berlim, na Alemanha

No entanto, para além do domínio europeu, o relatório revela uma mudança progressiva, à medida que a América Latina ganha presença e posições no ranking.

No total, 14 cidades de oito países da região figuraram entre as 100 melhores para se caminhar. Isso reflete não apenas uma maior representatividade, mas também uma melhora no ranking em comparação com anos anteriores.

A cidade mais bem classificada é Santiago, no Chile, que aparece em 25º lugar e entra no top 25 pela primeira vez. Mais abaixo na lista estão Medellín (32º), Cidade do México (33º) e Buenos Aires (34º), todas com suas melhores classificações históricas.

Também estão incluídas Cartagena (48) e Cusco (49), enquanto na parte intermediária e inferior do ranking aparecem Bogotá (85), Lima (86), Rio de Janeiro (94) e Antigua Guatemala (100), entre outras.

Lugares em destaque

O relatório destaca alguns desenvolvimentos significativos na América Latina. Santiago, no Chile, é o caso mais notável, subindo 23 posições e consolidando seu lugar como um importante destino urbano para passeios a pé.

Buenos Aires, na Argentina, também apresentou um progresso significativo, subindo 11 posições graças à sua oferta cultural e aos diversos bairros turísticos. Enquanto isso, a Cidade do México se consolidou como um dos principais destinos do continente para se explorar a pé.

No Brasil, Salvador, na Bahia, entra diretamente no ranking, enquanto a Cidade do Panamá retorna à lista após ter ficado de fora em 2025.

Fonte: O Globo