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Câncer: vacina reduz em 42% risco de morte ou recidiva por câncer de pele agressivo

Vacina — Foto: Unsplash

Uma nova vacina em desenvolvimento para o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pela, foi capaz de reduzir em 42% o risco de recorrência do tumor ou de morte em até dois anos, de acordo com dados divulgados na última quinta-feira pelas farmacêuticas MSD e Moderna. Essa é a primeira vacina individualizada contra o câncer a apresentar resultados positivos em um estudo clínico de fase III, última etapa exigida pelas agências reguladoras antes da aprovação.

— Todos estão muito esperançosos de que esta seja uma nova forma de tratar pacientes com melanoma — diz o médico Robert Vonderheide, presidente eleito da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, ao The New York Times.

A vacina, chamada intismeran, é personalizada para atingir mutações genéticas específicas do melanoma de cada indivíduo. O estudo clínico liderado pela Austrália incluiu 1.137 pacientes, em 157 centros ao redor do mundo, cujo melanoma havia sido removido cirurgicamente, mas que apresentavam alto risco de recorrência.

Os participantes não haviam recebido nenhum tratamento medicamentoso contra o câncer anteriormente. Todos foram tratados com um medicamento de imunoterapia chamado pembrolizumabe (Keytruda) durante doze meses.

Cerca de dois terços dos pacientes foram aleatoriamente designados para receber também a vacina experimental de mRNA, administrada em nove doses, e o outro terço recebeu um placebo. As vacinas foram personalizadas para incluir até 34 “neoantígenos” específicos, ou seja, novas proteínas expressas pelo tumor de cada paciente paciente, para estimular uma resposta imunológica a essas proteínas.

O Keytruda age removendo um mecanismo natural que as células cancerígenas usam para se esconder do ataque do sistema imunológico, enquanto a vacina instrui as células do paciente a produzirem cópias de mutações específicas para que o sistema imunológico as procure e destrua.

Os resultados mostraram que dois anos após o início do estudo clínico, os pacientes que receberam a vacina apresentaram uma probabilidade muito menor de o câncer ter retornado ou de ter se espalhado por todo o corpo. Dos que receberam a combinação de intismeran e pembrolizumabe, 82% estavam vivos e sem recidiva após dois anos, em comparação com 70% dos participantes tratados apenas com pembrolizumabe.

“Os resultados transformadores do estudo INTerpath-001 têm o potencial de promover uma mudança fundamental na forma como tratamos pacientes com melanoma em estágios iniciais no contexto adjuvante”, afirma a professora Georgina Long, investigadora principal do estudo e diretora médica do Instituto de Melanoma da Austrália, Cátedra de Oncologia Médica e Pesquisa Translacional do Melanoma na Universidade de Sydney, em comunicado.

Apesar dos resultados, os fabricantes dos medicamentos disseram que é muito cedo para afirmar se o tratamento combinado melhora a sobrevida a longo prazo. Essa medida é o padrão ouro para determinar se uma intervenção contra o câncer realmente funciona e, às vezes, pode ser um requisito para a aprovação regulatória.

Os resultados do estudo serão apresentados no congresso anual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Madri, neste fim de semana. O trabalho também foi aceito para publicação no New England Journal of Medicine e precisará passar por um processo de revisão por pares.

A combinação de tratamentos também está sendo testada em vários outros tipos de câncer, incluindo câncer de rim, bexiga e pulmão, de acordo com informações da Reuters. As empresas estão se preparando para solicitar a aprovação nos EUA e esperam que a vacina contra o câncer seja lançada em 2027, segundo o CEO da Moderna, Stephane Bancel, em entrevista

Fonte: O Globo