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Governo reajusta Bolsa Família, mas 440 mil famílias ainda esperam na fila pelo benefício

Família carioca cozinha na lenha: Brasil saiu do mapa da fome, mas muitos ainda aguardam na fila por benefícios sociais — Foto: Márcia Foletto

A pouco mais de duas semanas das eleições, o governo Lula anunciou nesta quinta-feira um reajuste de 15% no benefício do Bolsa Família, cujo valor mínimo passará de R$ 600 para R$ 690. A medida vai custar R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027. Ainda assim, 440.692 famílias ainda esperam na fila para receber o benefício, mesmo cumprindo todos os pré-requisitos do programa.

O número é referente a agosto. Em julho, a fila era um pouco menor, de 405.806 famílias. E, em agosto de 2025, a quantidade de famílias que aguardavam pelo benefício era de 709.135.

São elegíveis ao benefício as famílias inscritas no Cadastro Único com renda mensal de até R$ 218 por pessoa — número que não foi alterado pelo governo. Mas a entrada no programa não é automática. Depende da disponibilidade orçamentária, já que o Bolsa Família não é uma despesa 100% obrigatória.

É um gasto a qual o governo pode controlar o fluxo. Assim, a execução está sujeita à dotação prevista no Orçamento.

O Bolsa Família tem uma situação diferente da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo. Nessas despesas, todas as pessoas com direito precisam receber o pagamento, independetemente do orçamento previsto para a despesa.

No caso do Bolsa Família, a lei prevê que o valor dos benefícios pode ser alterado pelo Poder Executivo a cada intervalo de, no máximo, 24 meses, sendo vedada a redução do auxílio. O governo argumenta que o o período eleitoral não é um impeditivo ao reajuste aplicado, já que o percentual de 15,04% corresponde apenas à recomposição pela inflação.

O índice de 15,04% recompõe a inflação acumulada (INPC) desde março de 2023, quando foi recriado o Bolsa Família. O piso do benefício subiu de R$ 600 para R$ 691. Houve também atualização dos demais benefícios específicos, como os destinados às famílias com crianças pequenas e grávidas.

Com o reajuste, o custo do programa no orçamento federal vai atingir R$ 162,4 bilhões este ano e R$ 178,5 bilhões em 2027.

Veja o reajuste em cada auxílio abaixo:

  • Valor mínimo por família: R$ 600 para R$ 691
  • Benefício de Renda da Cidadania: R$ 142 para R$ 164
  • Benefício Primeira Infância, pago para famílias beneficiárias com crianças de 0 a 7 anos incompletos (auxílio é pago por criança): R$ 150 para R$ 173
  • Benefício Variável Familiar, pago para famílias com gestantes, lactantes e crianças e adolescentes com idade entre 7 anos e 18 anos incompletos (auxílio pago por integrante): R$ 50 para R$ 58

Fonte: O Globo