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3,5 milhões de idosos têm alto risco de quedas

Reprodução

Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de 2026, estimou que 3,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais podem apresentar alto risco de quedas.

O dado chama atenção porque, entre idosos, uma queda pode resultar em fraturas graves, especialmente na região do quadril.

Segundo o Ministério da Saúde, as fraturas de fêmur estão entre as principais consequências das quedas nessa população e podem levar a complicações e até à morte.

Além disso, dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), de 2026, mostram que os idosos representam mais de 72% dos pacientes atendidos em decorrência de quedas da própria altura e o órgão destaca as fraturas de quadril entre as lesões mais frequentes observadas nesses casos.

De acordo com o ortopedista Isaías Chaves, a osteoporose é um dos principais fatores que aumentam a gravidade das quedas entre idosos.

A doença reduz a resistência dos ossos e torna mais provável que um impacto de baixa intensidade provoque uma fratura.

“A osteoporose, que fragiliza os ossos, é três vezes mais comum em mulheres e está diretamente associada ao aumento das fraturas em idosos. Quando combinamos isso com a maior propensão a quedas, os riscos se multiplicam”, explica.

O envelhecimento também provoca alterações que favorecem as quedas, como redução do equilíbrio, perda de agilidade e diminuição da força muscular.

Problemas de visão podem dificultar a identificação de obstáculos e aumentar ainda mais o risco de tropeços e escorregões.

“As fraturas no quadril são as mais graves e podem ser devastadoras. Estima-se que metade dos idosos que sofrem esse tipo de fratura não consegue recuperar sua independência”, afirma Isaías.

Após uma queda, alguns sinais podem indicar uma fratura na região do quadril e exigem avaliação médica imediata.

Dor intensa e repentina, dificuldade ou incapacidade de caminhar e alterações na posição do membro estão entre os principais sintomas.

“Entre os sinais mais comuns de uma fratura no quadril estão: dor súbita e intensa na região, impossibilidade de caminhar e encurtamento ou rotação externa do membro afetado”, alerta o ortopedista.

Para reduzir o risco de fraturas, o médico destaca a importância de controlar fatores que podem ser modificados.

O diagnóstico e o tratamento da osteoporose, por exemplo, ajudam a preservar a resistência óssea.

Alimentação adequada, ingestão de cálcio e vitamina D, quando indicada, e prática regular de exercícios também fazem parte da prevenção.

“Identificar e tratar a osteoporose precocemente é crucial. Uma dieta rica em cálcio e vitamina D, associada a exercícios regulares, fortalece os ossos e reduz o risco de fraturas”, afirma.

A casa também deve ser adaptada para diminuir o risco de acidentes. Retirar tapetes soltos, melhorar a iluminação dos ambientes, instalar barras de apoio e manter os móveis organizados são algumas das medidas recomendadas.

O uso de calçados adequados, com solado que ofereça boa aderência, também contribui para evitar escorregões. A fisioterapia pode atuar tanto na prevenção quanto na recuperação.

“A fisioterapia é fundamental para melhorar o equilíbrio, a força muscular e a mobilidade, reduzindo significativamente o risco de quedas”, orienta Isaías.

A suspeita de fratura de quadril costuma ser investigada inicialmente por meio de radiografia.

Dependendo do caso, exames como tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser necessários para complementar a avaliação e definir a conduta.

Na maioria dos casos, o tratamento exige cirurgia, principalmente porque a permanência prolongada na cama pode aumentar o risco de complicações.

“O tempo em repouso para cicatrizar a fratura de quadril proporciona complicações como escaras de decúbito, infecções urinárias, pulmonares, favorece também ao surgimento de quadros de trombose, podendo levar o idoso a morte. Sendo assim, mesmo em paciente idoso a cirurgia é a melhor alternativa para aliviar a dor, restabelecer a funcionalidade do membro e prevenir complicações decorrentes da imobilidade”, afirma o especialista.

Em determinadas situações, principalmente quando a fratura compromete a cabeça do fêmur, pode ser indicada a substituição da articulação por uma prótese.

“Atualmente com a evolução das técnicas e materiais ortopédicos o tempo cirúrgico, sangramento e outras complicações cirúrgicas diminuíram consideravelmente principalmente quando a cirurgia é realizada por um especialista em cirurgia do quadril”, explica Isaías.

Depois da cirurgia, a reabilitação é fundamental para recuperar força, mobilidade e independência.

A fisioterapia deve ser iniciada conforme a orientação da equipe médica e pode contribuir para que o paciente retome as atividades cotidianas com mais segurança.

“Tanto as fixações de fraturas com haste como as próteses de quadril, na maioria dos casos permitem que o paciente inicie a fisioterapia e treino de marcha dentro de 24hrs após o término da cirurgia. Isso ajuda a reduzir os riscos de complicações relacionadas a imobilização. Quanto menor o tempo entre a fratura e a realização da cirurgia, maiores a chances de recuperação do paciente”, explica o médico.

“A prótese, aliada a uma boa reabilitação, pode devolver ao paciente sua qualidade de vida e dignidade”, conclui Isaías.

Fonte: IG