
Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, a população do estado do Rio Grande do Sul era de 10.882.965 habitantes. O estado ocupa o sexto lugar entre os mais populosos do Brasil. Deste total 20,15% da população tem 60 anos ou mais, o que totaliza cerca de 2,19 milhões de pessoas, fazendo-o o Estado com maior número de idosos, com uma expectativa de vida média, também elevada, na ordem de 76,49 anos, conforme dados divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) para o triênio 2022-2024, sendo de 79,63 anos para as mulheres, enquanto os homens registram 73,30 anos.
E estamos envelhecendo: Em 2070 seremos 40% da população. Mais recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral revelou que detemos, nesta eleição, 2.543.219 eleitores, número superior ao do conjunto de idosos no Censo de 2022. com mais de 60 anos, representando 29,82% do eleitorado estadual. Este percentual também é superior à média nacional, que é de 23,59%. De outra parte, os jovens entre 16 e 20 anos representam apenas 3,84% do eleitorado no Estado, enquanto a média nacional é de 5,26%. Esses dados refletem uma tendência demográfica do RS, que possui uma das populações mais envelhecidas do país.
Lamentavelmente, todo este vasto colégio eleitoral não tem muito espaço nas campanhas pelo voto. Eu adverti sobre isso nas candidaturas à Presidência da República em 2022. Nenhuma repercussão. Volto a clamar sobre a necessidade de maior atenção aos idosos no país, outrora “país do futuro”, com maioria da população jovem. Na verdade, somos presos a este mito, enquanto vamos envelhecendo rapidamente sem a atenção da Sociedade.
Crianças e adolescentes, por exemplo, não só dispõem de um Estatuto próprio, como , também, um instrumento efetivo em cada município de fiscalização da Lei, os Conselhos Tutelares. Já estive, inclusive, na Comissão dos Idosos na Câmara dos Deputados, em Brasília, levando a ideia de criação de Conselhos de Proteção às Pessoas Idosas, não sendo devidamente atendido. Há duas semanas, em encontro em Porto Alegre, como o Senador Paulo Paim, entreguei-lhe o mesmo pleito, tendo ele prometido, ainda no que lhe resta do mandato, encaminhar o assunto.
Enquanto isso, abundam as reclamações de idosos com a falta de cuidados em outros campos da sociedade, como por exemplo, o abuso do recurso às mídias eletrônicas no atendimento ao público. A maior delas se refere ao site GOV do Governo Federal, cujo acesso é incrivelmente difícil para maiores de 60 anos que não dominam as “teclas”. Um inferno. Fiz, também, muitas reclamações, sem resposta.
Mas o procedimento se generaliza, em nome do desenvolvimento tecnológico na prestação de serviços. Na verdade, trata-se de uma atitude discriminatória contra os mais vividos que acaba excluindo-os do atendimento, só possível graças aos filhos e netos mais próximos. Já fiquei três meses sem Plano de Saúde em virtude das mudanças nos controladores exigindo novo registro dos associados, até que encontrei uma boa alma, jovem, numa dessas lojas de celulares. Agora, eis que vivo sozinho, sempre que tenho problema com o Note e o celular, me socorro com ela.
Por Por Paulo Timm





