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Aquecimento global é ameaça para idosos maior do que se previa, aponta estudo

Pessoas se refrescam em uma fonte perto do rio Hudson durante uma onda de calor na cidade de Nova York — Foto: Yuki Iwamura/AFP

O aquecimento global deve expor os idosos a um aumento de temperatura ainda mais perigoso do que o previsto nas próximas décadas, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira no periódico The Lancet Planetary Health. Esses resultados, baseados em modelos desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Stanford, são particularmente relevantes em um momento em que a Europa e a América do Norte estão vivenciando um verão excepcionalmente quente.

Os especialistas buscaram determinar em que medida o aquecimento global exporá os idosos a níveis de temperatura intoleráveis ​​até 2100. Essa área de pesquisa já é bastante extensa. No entanto, os pesquisadores alertam que estudos anteriores parecem ter subestimado os riscos enfrentados pelos idosos, pois se baseavam em conhecimento parcialmente desatualizado.

A chave está em um indicador crucial: a temperatura de bulbo úmido. Como o próprio nome sugere, ela leva em consideração não apenas o grau de calor em si, mas também o grau de umidade, já que a mesma temperatura é muito mais perigosa quando combinada com um clima mais úmido.

No entanto, os riscos associados a um determinado nível de temperatura de bulbo úmido têm sido medidos, há muito tempo, em pessoas jovens e saudáveis. Pesquisas mais recentes, incluindo estudos com idosos, mostram que os perigos para esse grupo foram subestimados.

Ao integrar esse novo conhecimento e levando em consideração o envelhecimento projetado da população mundial, os autores concluíram que “o calor intolerável afetará muito mais pessoas do que se estimava anteriormente, em uma escala muito maior e por períodos mais longos”.

Por exemplo, se o mundo aquecer 1,5 °C até 2100 em comparação com a era pré-industrial, 22% das pessoas com mais de 60 anos estarão expostas a calor perigoso por mais de um mês a cada ano, de acordo com esses modelos, cujos resultados dependem de diversas escolhas metodológicas.

Os autores enfatizam que os países em maior risco são aqueles onde grandes segmentos da população não têm meios para se proteger do calor. Eles defenderam medidas para facilitar o acesso a recursos como ar-condicionado, bem como para reduzir as emissões de carbono.

Fonte: O Globo