
O prejuízo superior a R$ 1 milhão causado a uma idosa, em investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, expõe uma modalidade criminosa que cresce em todo o país.
São os golpes baseados em engenharia social, técnica que utiliza manipulação psicológica para convencer vítimas a entregar dinheiro, senhas ou acesso às contas bancárias.
Na última semana, um homem foi preso em Várzea Grande, suspeito de integrar a organização criminosa responsável pelo golpe.
A investigação aponta que a quadrilha atuava de forma estruturada e pode ter feito outras vítimas, inclusive em diferentes estados.

Embora os métodos variem, os criminosos seguem um roteiro semelhante.
Primeiro, conquistam a confiança da vítima por telefone, mensagens ou aplicativos.
Depois, criam uma situação de urgência — uma falsa fraude bancária, um problema judicial, um sequestro ou uma suposta atualização cadastral — para impedir que a pessoa reflita ou procure ajuda.
Segundo especialistas em segurança digital, os idosos estão entre os principais alvos porque, em muitos casos, possuem patrimônio acumulado, realizam movimentações financeiras significativas e tendem a confiar mais em ligações ou mensagens que aparentam ser de instituições conhecidas.
Além disso, muitos criminosos pesquisam previamente informações disponíveis em redes sociais ou bancos de dados vazados para personalizar a abordagem, aumentando a credibilidade da fraude.
MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA – A engenharia social não depende de invasão de computadores ou quebra de sistemas de segurança.
O principal alvo é o comportamento humano.
Os criminosos utilizam técnicas de persuasão, pressão emocional e sensação de urgência para convencer a vítima a agir rapidamente, antes que consiga confirmar a informação com familiares ou com a própria instituição financeira.
Em muitos casos, os golpistas se apresentam como funcionários de bancos, policiais, advogados, servidores públicos ou representantes de empresas de telefonia e comércio eletrônico.
Após obter a confiança da vítima, orientam transferências via Pix, empréstimos, entrega de cartões bancários ou instalação de aplicativos que permitem o acesso remoto ao celular.
CRESCIMENTO PREOCUPA
As forças de segurança têm registrado aumento das organizações especializadas nesse tipo de crime, que normalmente atuam de forma interestadual, dividindo funções entre quem faz o primeiro contato, quem movimenta o dinheiro e quem realiza os saques ou compras.
No caso investigado em Mato Grosso, a Polícia Civil apura a participação de outros integrantes da quadrilha, o número de vítimas e a dimensão financeira do esquema.
Especialistas recomendam que qualquer ligação solicitando transferência de dinheiro, confirmação de senhas ou instalação de aplicativos seja tratada com desconfiança. Bancos não pedem senhas por telefone nem orientam clientes a realizar transferências para “contas seguras”.
Também é fundamental que familiares conversem frequentemente com idosos sobre golpes financeiros e orientem que nenhuma decisão envolvendo dinheiro seja tomada sem antes consultar pessoas de confiança.
Fonte: Diário de Cuiabá





