
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), nova fase da Operação Sem Desconto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS.
Os principais alvos são o advogado Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Distrito Federal e no Maranhão.
O parlamentar já foi alvo de busca e apreensão da Operação Sem Desconto em dezembro do ano passado.
O advogado Willer Tomaz disse, por nota, que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido na manhã desta terça decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.
Disse ainda que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. “Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, disse seu advogado, em nota.
O senador foi procurado na manhã desta terça, mas ainda não se manifestou.

Segundo a PF, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. Os investigadores apuram se recursos teriam sido ocultados por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e operações realizadas com dinheiro em espécie.
A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para esconder a origem e o destino dos valores movimentados.
A corporação informou que as diligências desta terça buscam reunir novas provas para esclarecer a origem e a destinação dos recursos, identificar a finalidade dos repasses financeiros e individualizar a conduta de cada um dos investigados.
Willer Tomaz mantém relações com parlamentares de diferentes espectros políticos. Embora seja conhecido pela proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também tem interlocução com integrantes da base do governo Lula (PT).
O advogado é sócio do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que atuou como advogado da última campanha presidencial de Lula. Ele também defendeu o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) em processos nos tribunais superiores.
Nos bastidores de Brasília, Willer é conhecido por ostentar influência política e trânsito entre ministros de tribunais superiores.
Ele foi um dos principais articuladores da tentativa de indicação do então procurador-geral da República, Augusto Aras, para a segunda vaga aberta no STF durante o governo Jair Bolsonaro.
O plano, porém, não prosperou, e Bolsonaro acabou indicando André Mendonça, após afirmar que escolheria um ministro “terrivelmente evangélico”.
Posteriormente, Willer passou a figurar entre os principais cotados para uma vaga no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) destinada à indicação da Câmara dos Deputados. Diante da repercussão em torno de seu nome, desistiu da disputa.
A Folha revelou que o então ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP) utilizou a filial de sua empresa de venda de motocicletas no Piauí para alugar uma mansão no Lago Sul, em Brasília, adquirida meses antes por Willer.
O advogado foi preso pela Polícia Federal em 2017, no âmbito da Operação Patmos, deflagrada após a delação da JBS. Segundo a Procuradoria-Geral da República, ele teria atuado como intermediário no vazamento de informações sigilosas do Ministério Público Federal. A denúncia, contudo, foi rejeitada pela Justiça.
O advogado também é próximo de Weverton.
O senador é um dos integrantes mais influentes do Senado e tem proximidade com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Também é apoiador de Lula.
O presidente do Senado confia missões difíceis a Weverton. Ele é, por exemplo, foi relator do projeto de nova lei do impeachment e da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Weverton foi um dos senadores com os quais Lula conversou pessoalmente para tentar obter apoio para Messias e baixar a temperatura política de forma geral.
A Operação Sem Desconto apura um esquema de irregularidades investigado pela Polícia Federal, e esta nova etapa concentra-se especificamente na possível prática do crime de lavagem de dinheiro relacionada aos fatos já sob investigação.
Em janeiro deste ano, a Folha mostrou que um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, disse em depoimento à Polícia Federal que uma filha de Weverton viajou em uma aeronave do empresário.
Segundo o relato feito à PF no dia 12 de novembro, o encontro teria ocorrido no aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo, em 21 de fevereiro de 2024.
A Polícia Federal já concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto com 48 indiciamentos relacionados ao caso da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).
O relatório foi apresentado pela corporação ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator das investigações, em julho.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido, e Camilo Antunes. A lista inclui também o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira.
Esta etapa da investigação se concentra apenas em descontos realizados pela Conafer e não envolve outros personagens que foram alvo da investigação, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.
Fonte: Folha de S. Paulo





