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O Brasil está preparado para envelhecer?

Foto: Reprodução Adobe Stock

Em poucos anos, o Brasil deixará de ser um país predominantemente jovem. Até 2030, haverá mais idosos do que crianças e adolescentes de até 14 anos. A mudança é silenciosa, porém histórica e levanta uma questão urgente: estamos preparados para envelhecer?

Sem dúvidas, o aumento da expectativa de vida é uma vitória. No entanto, mesmo com os avanços em novos tratamentos e diagnósticos, essa mudança brusca na realidade deve ser acompanhada de políticas públicas que permitam o bem-estar e o envelhecimento saudável do público 60+.

O cenário brasileiro revela um descompasso preocupante. Enquanto a transição demográfica avança em ritmo acelerado, a adaptação das cidades e os serviços de saúde acontecem de forma mais lenta. O País envelhece antes de estruturar uma rede de apoio capaz de responder às demandas desse novo cenário.

A população idosa no Brasil cresceu de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025, segundo a Pnad Contínua, reforçando a urgência de disponibilizar recursos para uma sociedade mais longeva. No entanto, essa transformação ainda não foi acompanhada pela modificação dos espaços urbanos. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do IBGE, apenas 18,8% dos moradores viviam em vias com calçadas livres de obstáculos, condição que compromete a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida na terceira idade.

Após anos trabalhando ao lado de agentes da saúde — médicos, técnicos e enfermeiros —, percebo que uma das grandes problemáticas do sistema ainda é a lógica voltada mais para reabilitação do que para medidas preventivas. Culturalmente, o brasileiro prioriza o tratamento de doenças em vez da cautela e da promoção do bem-estar.

Diante do envelhecimento acelerado da população, o modelo de cuidado atual se torna cada vez menos eficiente. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgado pelo IBGE em 2019, quase metade das pessoas com deficiência no Brasil era formada por idosos, o que evidencia o aumento das limitações com o avanço da idade. Esse cenário reforça a necessidade de investir em prevenção e autonomia.

Preparar o País para envelhecer exige uma mudança na forma de cuidar. É preciso substituir a cultura de resposta às doenças por um padrão baseado na precaução, capaz de antecipar riscos, preservar capacidades e garantir independência. Essa transformação é urgente diante do rápido envelhecimento dos brasileiros.

Por Etevaldo Miranda Jr. – CEO da Cuidare, rede de franquias especializada em cuidados de pessoas