
O Ministério da Saúde lançou, no último domingo, a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online. Veiculada na televisão, no rádio e nas redes sociais, a iniciativa alerta a população sobre os riscos associados ao uso problemático das plataformas de apostas, como as bets, e divulga os serviços de saúde mental oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o acolhimento e o tratamento de apostadores e familiares afetados.
“Disponíveis 24 horas por dia, as plataformas utilizam recursos como notificações, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis, que podem estimular a permanência e a repetição das apostas. O uso problemático dessas plataformas pode levar a pessoa a apostar por mais tempo ou gastar mais do que havia planejado, com possíveis impactos na saúde mental, na situação financeira, na rotina e nas relações familiares e sociais”, diz a pasta em nota.
Segundo o ministério, o Transtorno do Jogo é reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como um transtorno de comportamento aditivo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 1,2% da população adulta mundial sofra com o diagnóstico.
No Brasil, o SUS oferece teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas e seus familiares. O serviço é sigiloso e permite o acesso à assistência especializada a distância. Familiares de pessoas afetadas também podem utilizar o teleatendimento para receber acolhimento, orientação e acompanhamento.
O Ministério da Saúde alerta qua alguns sinais de que é importante buscar ajuda são:
- Apostar por mais tempo ou gastar mais do que o planejado;
- Preocupar-se frequentemente com jogos e apostas;
- Perceber alterações no sono, no humor, na rotina ou nas relações .
Para acessar o atendimento, é preciso:
- Entrar no Meu SUS Digital pelo aplicativo ou pela versão web;
- Fazer login com a conta gov.br.;
- Na página inicial, selecionar “Miniapps”;
- Clicar em “Problemas com jogos de apostas?”;
- Responder ao autoteste disponível na plataforma.
As perguntas ajudam a avaliar a relação com as apostas e a identificar o cuidado mais adequado. Quando o resultado indica risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é feito automaticamente. Nos demais casos, o aplicativo apresenta orientações sobre os serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O atendimento presencial pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde apostadores e familiares recebem acolhimento, orientação e avaliação inicial. Quando houver necessidade de cuidado especializado em saúde mental, a equipe pode encaminhá-los a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferece acompanhamento multiprofissional.
Plataforma permite bloquear o acesso às apostas
Além disso, o governo brasileiro também disponibiliza a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, do Ministério da Fazenda. Por meio dela, é possível solicitar voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas.
Para isso, é necessário acessar a página da ferramenta e entrar com a conta gov.br. A partir da solicitação, o sistema:
- Bloqueia, de uma só vez, as contas ativas nas plataformas autorizadas;
- Impede a abertura de novas contas com o CPF cadastrado e
- Interrompe o envio de publicidade direcionada pelas empresas de apostas.
A plataforma também reúne conteúdos sobre jogo responsável, saúde mental e educação financeira, além de autotestes, cursos, materiais educativos e orientações sobre onde buscar atendimento no SUS.
Fonte: O Globo





