Atlas da Violência 2026 revela crescimento expressivo das notificações contra pessoas com 60 anos ou mais e reforça a necessidade de ampliar ações de proteção e conscientização.

Celebrado nesta segunda-feira (15), o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa chama a atenção para uma realidade preocupante em Mato Grosso. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que o número de notificações de violência interpessoal contra pessoas com 60 anos ou mais aumentou 194,9% no estado ao longo da última década.
Em 2014, foram registradas 59 ocorrências. Já em 2024, esse número saltou para 174 casos, evidenciando o avanço das diferentes formas de violência praticadas contra a população idosa.
A data foi instituída em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa com o objetivo de sensibilizar governos e sociedade sobre a necessidade de prevenir e combater violações de direitos dessa parcela da população.
Para o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa de Mato Grosso (CEDEDIPI-MT), Isandir Rezende, os números reforçam a urgência de ampliar as ações de proteção e conscientização.
“Os dados mostram que a violência contra a pessoa idosa continua sendo uma realidade que precisa ser enfrentada por toda a sociedade. Muitas vezes, ela acontece dentro do ambiente familiar e não se limita à agressão física. Há casos de abandono, negligência, violência psicológica, financeira e patrimonial que precisam ser identificados e denunciados”, afirmou.
Segundo Isandir, o envelhecimento da população exige políticas públicas cada vez mais efetivas para garantir dignidade, respeito e qualidade de vida aos idosos.
“O envelhecimento é uma conquista social. Precisamos assegurar que os idosos tenham seus direitos respeitados, vivam com autonomia e estejam protegidos de qualquer forma de violência. Isso passa pela atuação do poder público, mas também pela responsabilidade das famílias e da sociedade”, destacou.
O presidente do CEDEDIPI-MT lembra ainda que a violência contra idosos nem sempre deixa marcas visíveis, o que dificulta sua identificação. Mudanças de comportamento, isolamento, medo excessivo, sinais de abandono e movimentações financeiras incomuns podem indicar situações de abuso.
Além do aumento das notificações de violência interpessoal, o Atlas da Violência 2026 aponta que Mato Grosso permanece entre os estados com elevados índices de violência letal contra pessoas idosas, reforçando a necessidade de fortalecer a rede de proteção e garantia de direitos.
As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, canal nacional de atendimento para violações de direitos humanos, além das delegacias e demais órgãos de proteção à pessoa idosa.
Para Isandir Rezende, o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa deve servir como um momento de reflexão e mobilização.
“Combater a violência contra a pessoa idosa é um dever coletivo. Respeitar, acolher e proteger quem tanto contribuiu para a construção da nossa sociedade é uma demonstração de cidadania e humanidade.”





