Pular para o conteúdo

Remédio contra câncer de pâncreas quase dobra sobrevida global de pacientes, diz estudo

Células de câncer em crescimento anormal – Toeytoey/Adobe Stock

Pacientes com câncer de pâncreas metastático que receberam daraxonrasib, da Revolution Medicines, tiveram melhorias estatisticamente significativas em uma medida de crescimento tumoral e na sobrevida global em comparação com aqueles que receberam quimioterapia, disse a empresa.

A mediana de sobrevida global foi de 13,2 meses com o medicamento experimental, contra 6,7 meses para a quimioterapia, o atual padrão de tratamento.

O medicamento da empresa visa bloquear um gene chamado RAS, que, quando sofre mutação, causa várias formas de câncer.

O câncer de pâncreas tem a maior taxa de mortalidade entre todos os principais tipos de câncer, com apenas 13% dos pacientes sobrevivendo cinco anos após o diagnóstico.

Segundo a Sociedade Americana de Câncer, cerca de 67 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer de pâncreas em 2026 e mais de 52 mil devem morrer em decorrência da doença.

Segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), são esperados cerca de 13.240 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

O remédio da Revolution ganhou atenção em abril passado quando o ex-senador americano Ben Sasse disse ao jornal New York Times que estava tomando a pílula de dose única diária após ser diagnosticado com câncer de pâncreas em estágio 4.

Pacientes com câncer de pâncreas metastático dificilmente serão curados por qualquer tratamento. Por isso, o objetivo da empresa é aumentar a expectativa de vida e a qualidade de vida, segundo Mark A. Goldsmith, CEO da Revolution.

“Isso vai elevar significativamente o patamar de sobrevida em um dos cânceres humanos mais letais”, diz.

Em outubro de 2025, o daraxonrasib da Revolution foi selecionado pelo FDA (a Anvisa dos EUA) para um novo programa de vouchers destinado a acelerar medicamentos promissores. A empresa planeja submeter os dados à FDA e a outras autoridades regulatórias globais para aprovação.

Analistas do mercado financeiro dos EUA esperam que o medicamento da Revolution gere US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) em vendas anuais até 2030, caso seja aprovado.

O entusiasmo em torno do medicamento contra câncer da Revolution fez suas ações dispararem 164% no último ano.

No mês passado, após a divulgação dos resultados, as ações da Revolution subiram 37% na abertura dos mercados em Nova York, a maior alta desde fevereiro de 2020.

Em nota aos clientes, o analista Joseph Catanzaro, do banco Mizuho, disse que os resultados de sobrevida global foram “notáveis” e aumentaram as chances de o medicamento ser usado como tratamento inicial para pacientes recém-diagnosticados.

“Este é, por qualquer medida, o melhor cenário possível” para a Revolution, disse Faisal Khurshid, analista do banco de investimentos Jefferies.

Fonte: Folha de S. Paulo